terça-feira, 23 de junho de 2009

IN-EDIT Brasil 2009

Festival internacional do documentário musical.
Programação: http://www.in-edit-brasil.com/pdf/tabela_programacao.gif

Um dos destaques da programação do In-Edit Brasil é o filme que narra o mítico show de Johnny Cash em Folsom Prison. Um acontecimento que marcou a carreira do artista e a consciência da indústria fonográfica.



Sessões:

27.06.09 – 3:00h - MIS

30.06.09 – 21.00h - CineSesc

03.07.09 – 22:00h - HSBC Belas Artes





quarta-feira, 17 de junho de 2009

DOC TV "O caminho do meio"


Por: João Daniel Donadeli

Desde que o Proálcool, Programa Nacional do Álcool, foi instituído, em 1975, pelo governo do presidente Ernesto Geisel, por causa da crise internacional do petróleo, cresceu exponencialmente a produção de cana-de-açúcar e o número de usinas.

O aumento da demanda de mão-de-obra foi uma decorrência natural, e trabalhadores começaram a migrar de seus Estados de origem para o corte de cana no interior de São Paulo, região de amplo cultivo.

A maioria dos trabalhadores estava entre 20 e 50 anos e vinha do norte de Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, regiões com alto índice de desemprego.

A modernização do maquinário de colheita e as novas exigências para a produção dos biocombustíveis, como não queimar a cana, que é necessário para a colheita manual, causou déficit de trabalho para os migrantes, que tradicionalmente eram absorvidos pela atividade.

O Caminho do Meio, um dos selecionados pela quarta edição do DOCTV, programa de incentivo à produção de documentários, vinculado ao Ministério da Cultura, busca revelar esse processo de migração, nesse novo contexto.

Para isso, o diretor André Amparo faz um recorte geográfico, elegendo o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região de onde partem muitos dos migrantes da cana, e toma como base o depoimento dos trabalhadores e de seus familiares, que ficam à espera.

O documentário evita o tom de denúncia e contempla a análise que os próprios trabalhadores fazem sobre o processo de migração, atrelado, muitas vezes, à melhoria da condição financeira. Não são poucos os que voltam do corte da cana com recursos para investir na compra de casas, automóveis e motocicletas. O filme também faz esse movimento de partir e regressar.

Logo em sua abertura, somos surpreendidos pelas imagens da queimada da cana, que é espetacular; entretanto já fica explícita a impossibilidade de manter esse processo arcaico, que agride toda e qualquer proposta ecológica.

A cultura local, as festividades e a religiosidade dos populares dão ao filme uma atmosfera sertaneja de poucos recursos, mas de muita alegria.

A proposta estética adotada pelo diretor está vinculada, também, à busca de imagens contemplativas, que enriquecem o filme e conduzem o espectador a momentos de introspecção, entre um depoimento e outro.

Exemplos de imagens assim são a dos insetos voando ao redor de uma lâmpada, um show de luz e movimento; e a do garoto que tenta segurar o vento, espontaneidade sem igual.

Depois da partida dos trabalhadores, os que ficam pouco sabem desse local de onde vem o dinheiro que movimenta os vilarejos. As imagens captadas pelos trabalhadores, com câmeras e instruções dadas pelo diretor, revelam um pouco desse lugar imaginário e desconhecido.

Num momento em que se discute sustentabilidade e se busca um meio para frear a devastação do planeta, O Caminho do Meio propõe um novo olhar sobre os problemas socioambientais do agronegócio, levando em conta a opinião de grandes especialistas no assunto, os trabalhadores da lavoura.

O Caminho do Meio (Brasil, 52 min.)
Direção e roteiro: André Amparo


segunda-feira, 15 de junho de 2009

DOC LISBOA


Não percam as inscrições para o festival doclisboa de documentários.
http://www.doclisboa.org/premios.html

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Valsa com Bachir


Por: João Daniel Donadeli


Depois que as tropas israelenses invadiram o Libano, em 1982, supostamente para conter os ataques terroristas atribuídos à OLP - Organização pela Libertação da Palestina, considerada pela liga árabe a única representante legitima do povo palestino - deu margens para que um grande massacre de palestinos fosse posto em prática por parte da falange cristã, organização político-militar.

O assassinato do presidente recém eleito do Líbano e líder da falange cristã, em quatorze de setembro de 1982, foi o pivô do massacre que tirou a vida de inúmeros civis palestinos nos campos de refugiados Sabra e Shatila, em Beirute. Em um primeiro momento, o atentado foi atribuído aos palestinos da OLP, por esse motivo, os campos foram invadidos pela falange cristã e o massacre efetuado sob a proteção de tropas israelenses. Dias mais tarde soube-se que o autor do atentado, que matou Bachir Gemayel e mais vinte seis pessoas, era também um cristão maronita, do partido pró Líbano, que acreditava que Bachir havia vendido o país aos israelenses.
Ari Folman, cineasta israelense, foi testemunha desse massacre quando com dezenove anos servia às tropas israelenses em seu período obrigatório.

Valsa com Bachir surge da vontade do diretor de reaver suas memórias de guerra perdidas por um processo de escape psicológico, se valendo de terapias e conversas com antigos amigos que também estiveram em Beirute na mesma época.
O documentário em animação mostra a trajetória de Ari Folman em busca de suas memórias do terrível ano de 1982, quando esteve em Beirute a serviço da IDF - Israeli Defense Force.

A Narrativa é conduzida pelo desvelar das histórias que são contadas durante as visitas que o Diretor faz a alguns amigos, cada nova personagem que surge temos um pouco do que foi a invasão das tropas israelenses no Líbano pela visão de exsoldados. Dessa forma, Folman busca uma tentativa de mostrar o lado humano dos soldados israelenses que ali estavam com todas as suas fraquezas.

A estratégia de fazer um documentário de um tema tão polêmico, em animação, com um grande realismo e narrado em primeira pessoa, demonstra que o diretor não se ausenta da culpa, mas ameniza o impacto das imagens reais e possibilita uma reflexão sobre o outro lado da moeda, para que a unidade de cada um não seja pré-julgada com olhos no todo.

Por outro lado, a beleza das imagens, a poética da narrativa e a belíssima trilha sonora, envolvem o espectador em um ninho de perfeição estética, onde não se pode sentir o peso do massacre de Sabra e Shatila. Esse mecanismo de distanciamento não mascara o filme, apenas diminui o impacto sensacionalista e violento que poderia divergir da proposta do diretor de fazer um filme antiguerra, antiviolência.

Valsa com Bachir é extraordinariamente um belíssimo presente visual, uma obra de arte, uma luz em meio aos conflitos atuais e perpétuos entre as divergências religiosas e a intolerância “desumana”.

Ficha técnica:
Valsa com Bachir: (Waltz With Bashir, Israel, Alemanha, França, EUA, Finlândia, Suíça, Bélgica, Austrália, 2008) 86 mim.
Gênero: Documentário, animação.
Direção: Ari Folman
Roteiro: Ari Folman



terça-feira, 19 de maio de 2009

periferia.com DOCTV IV



A série de documentários DOCTV IV vai ao a apartir de 5 de junho, ás 22:30. O documentário Periferia.com, que tem como tema as lan houses da periferia será exibido na sexta feira dia 3 de julho. www.periferiapontocomdocumentario.blogspot.com

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Garapa amarga


Por: João Daniel Donadeli


"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".( Josué de Castro)

Ao escrever, em 1946, o renomado livro “Geografia da Fome”Josué de Castro, afirmava que a fome não era um problema natural, isto é, não dependia nem era resultado dos fatos da natureza, ao contrário, era fruto da ação humana, ou melhor da falta da ação humana para com seus semelhantes, a centralização do capital na mão de poucos e a fome na boca de muitos.

Os tempos são outros, mas a má distribuição de renda e o descaso ainda são o mesmo. Em pleno século XXI as pessoas ainda morrem de fome e não há uma perspectiva de melhora.

O premiado diretor brasileiro José Padilha, ( Tropa de elite) de volta ao documentário com seu novo filme ”Garapa” teve a intenção de mostrar a fome em seu estado natural, retratando o cotidiano de três famílias do nordeste brasileiro, que sofrem com a fome e a desnutrição por uma alimentação pobre em nutrientes, como a garapa (neste caso, água com açúcar) oferecida as crianças para saciar a fome congênita.

As imagens que se vê em Garapa são extremamente desconcertantes, que causam um estranhamento no espectador, por algum momento pode parecer que sejam sensacionalistas ao extremo, e, no entanto uma reflexão pode nos trazer um entendimento mais profundo sobre a intencionalidade de cada cena. A fotografia em preto e branco causa um distanciamento, como se aquela realidade fosse algo passado, distante dessa realidade presente.

O recorte proposto entre as três famílias nordestinas não particularizam ou regionalizam o filme, pois a fome está em todos os lugares inclusive nas grandes capitais. Fazendo uso do cinema direto com poucas interferências visíveis, Padilha busca trazer o dia a dia dessas famílias, com seus conflitos e reflexos da miséria, personagens marcantes que acentuam a intencionalidade de colocar o espectador dentro do filme vivenciando cada situação.

Um “filme feio e muito triste”, um grito desesperado por socorro, que choca o espectador que se vê impotente, engessado diante da poltrona enquanto imagens da violência da fome se projetam na tela do cinema. Imagens em preto e branco para serem suportadas, um realismo critico até um tanto exacerbado, mas com base no artigo “a estética da fome” de Glauber Rocha, podemos discernir melhor, “...Nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.”

Garapa é um filme verdade, é um soco na boca do estomago do comodismo e uma resposta ao falso assistencialismo, é um olhar aos extremos que fazem parte do todo, é um filme que faz o público pensar e refletir a cada grão de pipoca consumido na sala escura, um filme manifesto, uma critica a sociedade consumista e fútil que nunca a sentiu fome, um filme que leva um tempo para ser processado, mas que todos deveriam ver, refletir, indagar e debater.

Garapa, documentário, Brasil-RJ 110mim, P&B, 35mm, 2008
Direção: José Padilha.
Roteiro: Felipe Lacerda e José Padilha

quarta-feira, 1 de abril de 2009

DOCTV CPLP


A partir da próxima segunda-feira, 6 de abril, até o dia 21 de maio, estarão abertas as inscrições para o Concurso de Seleção de Projetos de Documentário do I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão de Documentário dos Países de Língua Portuguesa - DOCTV CPLP. Mais informações e inscrições no site do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), de Portugal