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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quando a realidade parece ficção, é hora de fazer documentários.

Por: João Daniel Donadeli



Num país imenso como o Brasil, a diversidade cultural também é imensa e a maneira para se retratar essa diversidade a partir de documentários regionalizados é uma forma de descentralizar a produção e promover essa diversidade. 

Temas variados, mas que se permeiam, porque por mais múltiplo que seja o País, existe em sua essência uma unidade comum a todos. 

 Entre os cinqüenta e cinco documentaristas que emprestam seus olhares para a série DOCTV IV aqui se encontram oito que com seus filmes revelam suas regionalidades, culturais, patrimoniais e muitas vezes promovem a revisão de fatos históricos de suas regiões como uma proposta de encontro com o povo brasileiro.
Hora convergindo, hora divergindo, cada um com sua complexidade e estratégia de abordagem os últimos documentários exibidos pela série, trazem um pouco dos processos contemporâneos e urgentes, sem deixar de beber na fonte da tradição e rever fatos do passado recente do país.

Duplo território

Duplo território é um documentário Paulista, que traz o inesperado, um investigador da policia civil, acostumado a conviver com a violência urbana própria de sua profissão, encontra nos marginalizados a inspiração para expressar a sua arte, pintando quadros de pessoas que vivem à margem da metrópole.
O documentário flerta com a questão do estereótipo criado para o policial, cara de durão e que não haveria a possibilidade de um deles ser um artista, pois arte é algo que pressupõe sensibilidade e nunca se espera isso de um policial que convive todo dia com a violência dessa cidade complexa.


Ficha Técnica 
Duração: 52 minutos 
Autor e Diretor: Rogério Corrêa

Tribuna do Gueto 

“Sem pátria, sem luz, sem amor, estão vivendo dos restos e dos dejetos”, diz a música de abertura desse documentário que tem a intenção de dar voz a grito calado dos guetos de São Luis do Maranhão.

Esse documentário leva em consideração a visão dos populares das periferias de São Luis, que por meio de uma tribuna colocada exclusivamente para ser o canal de queixas da população, revelam as carências da periferia e defendem suas posições de guerreiros e ocupantes, mas não de invasores e criminosos.


Ficha Técnica 
Duração: 52 minutos 
Autor e Diretor: Antonio Carlos Pinheiros

Negros

Negros é um documentário feito com imagens de filmes e vídeos de arquivo captados ao longo do século passado que revelam a imagem do negro na Bahia sem se ater a fatos ou compromisso com a história.

As imagens sugerem sem direcionamento uma reflexão sobre a trajetória do negro na construção de sua imagem no estado onde a cultura negra é mais forte no Brasil, o documentário encanta pela sensibilidade para a seleção de imagens, trilha sonora e montagem.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autora e Diretora: Mônica Simões

O mergulho

O mergulho é a metáfora que transpõe esse documentário que tem o Rio Acre, que separa a cidade de Rio Branco, como protagonista e palco para as relações que se estabelecem entre pessoas que convivem diariamente com ele.

O documentário acreano expõe as relações estabelecidas pelas pessoas que viram a transformação da cidade de Rio Branco moldar as margens do rio que outrora era o meio mais utilizado para se chegar ou sair da cidade. Para isso o documentarista lança mão de encenações de fatos e histórias que hora permeiam, hora mergulham, na vida cotidiana dos moradores da capital acreana.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Silvio Margarido

HU

Esse documentário sugere um paralelo entre as duas alas do um Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, que teve sua construção iniciada na década de cinqüenta e se arrastou por mais quase trinta anos quando foi ocupada apenas uma ala da construção projetada pelo arquiteto Jorge Machado Moreira, tendo a outra ala submetida a degradação do tempo e de vândalos.

Conhecida como “perna seca” essa segunda ala do hospital é a metáfora que se estabelece entre a ala que falta “Álcool” e a outra que falta tudo, entre a saúde pública e as necessidades da população, um paralelo do que está acontecendo com o país, de um lado um Brasil que cresce e está se construindo e se solidificando e de outro um Brasil que vai se desmoronando e se acabando em escombros.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor: Pedro Urano
Diretores: Pedro Urano e Joana Cseko

Espelho Nativo

Espelho Nativo é um documentário Cearense que revela a relação dos índios com sua cultura embebida da cultura dos brancos tendo a comunidade indígena dos Tremembé como protagonista.

O documentário convida a uma reflexão sobre o estereótipo do índio de cocar, arco e flecha e morando em oca, com o convívio diário com a cultura dos brancos é improvável que o índio sobreviva nesse ideal estereotipado de índio de outrora.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Philipi Bandeira

O Último que sair fecha a porta

O documentário é focado nas entrevistas de cidadãos paulistanos que ingressam num programa de emigração ao Quebec no Canadá Francês para verem seus projetos de vida realizados em outra pátria que os acolhe como cidadãos.

Essas pessoas passam por um período de treinamento e aprendizado da língua francesa para passarem por uma prova e ganharem o direito ao “Green cards”. O documentário além de revelar o dia a dia e o propósito de cada um dos personagens que ingressam no programa, também promove uma discussão se realmente a mudança de pátria seja a solução para seus anseios e necessidades.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autora: Carolina Fernandes

A Revolta
A revolta é um documentário que revisita um fato deprimente da historia da colonização do estado do Paraná quando colonos e posseiros pegaram em armas para defenderem suas terras, famílias, e dignidade.
A revolta dos posseiros foi um fato que marcou a história do Paraná quando jagunços e companhias grileiras aterrorizaram os posseiros que revoltados se organizaram e retomaram o controle de suas vidas e terras.
Estético, político, e cinematográfico esse documentário através dos depoimentos dos posseiros que participaram do levante, revela a indignação desses lavradores que lutaram para defenderem suas terras ontem, como outros lutam e morrem para defenderem suas terras hoje.


Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor: João Marcelo Gomes
Diretores: João Marcelo Gomes e Aly Murtiba

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

DOCTV: Avenida Brasília Formosa


O documentário “Avenida Brasília Formosa” sugere em seu título o nome de uma avenida homônima que foi construída após a remoção de palafitas na orla, que corriam o risco de serem levadas pela maré, e a partir dessa avenida que trafegam diariamente muitas pessoas anônimas com suas singularidades, que surge o pretexto para revelar a simplicidade da vida cotidiana entrelaçada entre as subjetividades singulares daqueles que compõem o tecido social da comunidade Brasília Teimosa, em Recife.

Brasília teimosa é um bairro muito tradicional de Recife, famosa pela gastronomia baseada em frutos do mar, está localizada em uma das regiões mais prospera da cidade onde o mercado imobiliário investe em arranha céus em constante construção, um cenário que lembra Dubai, como pode ser visto no documentário, porem o bairro é ocupado por uma população de baixa renda.

O filme dirigido por Gabriel Mascaro, percorre o dia a dia de quatro personagens reais que interpretam seus próprios papeis sociais e se entrecruzam criando uma teia de relacionamentos. Fabio um cinegrafista que também trabalha como garçom em um restaurante, é contratado por Débora, a manicure, para fazer um vídeobook para ser enviado ao reality show Big Brother, Pirambu, o pescador, é um dos moradores que foi retirado das palafitas e o garoto Cauã, também é registrado em seu aniversário pelas lentes de Fabio.

A avenida é o pano de fundo por ser a principal via de circulação para os personagens e moradores da comunidade e servir de palco para esses atores sociais gerando uma simbologia metafórica e transcendente.

Por ter como personagens sujeitos comuns que estabelecem relações entre si e fazem parte de um coletivo, o documentário cria um universo diegético onde o espectador é colocado no centro, privilegiado pelo olhar, circundado por todas as ações cotidianas vivenciando sensorialmente o ambiente com todos os sons, ruídos, pessoas e imagens.

As imagens de arquivo que mostram as palafitas antes da construção da avenida também revelam o presidente Lula e o ex-ministro da cultura Gilberto Gil, em campanha, e essas imagens são inseridas no filme com muita sutileza levando em conta a proposta estética observacional.

Com um conjunto harmonioso entre, imagens, sons e vivências o documentário “Avenida Brasília Formosa” faz uso do particular sem ser classista para revelar um tema universal como a complexidade humana e suas teias de relações, onde o singular é parte de um todo, onde o universal se revela pelas subjetividades.

Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Gabriel Mascaro
Co-produção: Gabriel Mascaro | Plano Nove Produções | TV Universitária de Pernambuco | ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais

DOCTV: Roraimeira, uma expressão amazônica


As belezas naturais de Roraima são, sem dúvida, o seu maior patrimônio, e inspirada nessas belezas locais e na cultura indígena, surge na década de oitenta o movimento musico-cultural que passou a ser conhecido como “Roraimeira”, esse movimento buscava exaltar toda a cultura regional roraimense, instituindo um manifesto pro-regionalista de preservação e super valoração dessa cultura regionalizada que passou a influenciar também outras formas de expressão artística como a literatura, dança, teatro, fotografia e artes plásticas.

O documentário homônimo de Thiago Briglia, parte da ideia de um resgate desse movimento seguindo os passos do trio que deu origem ao movimento. Eliakin Rufino, Neuber Uchôa, Zeca Preto, são os personagens que ao longo do documentário visitam localidades turísticas que compõe o cenário natural de Roraima e que serviram de inspiração para o movimento artístico regional como a famosa Pedra pintada, o lago Caracaranã e o Monte Roraima.

Mantendo a ideia original e valorizando a fauna amazônica, o documentário cria um clima de interação e pertencimento com a expressividade naturalística da zoodança encenada por artistas locais e que cria um universo estético-selvagem corroborando com a regionalidade, essa dança reconstrói os movimentos de animais da fauna local como a onça pintada, a garça, e o macaco com uma plasticidade que valoriza toda a proposta estética do documentário.

Tendo como personagens três grandes músicos, o documentário cria a atmosfera de um musical, pontuando as regionalidades turísticas com músicas da roraimeira e com depoimentos que demonstram a inspiração para as composições musicais de cada localidade.

Com isso o diretor busca criar um reflexão para a influência deixada pelo movimento roraimeira para a formação cultural e identitária roraimense, mostrando que mesmo que isso não esteja explicito, houve um movimento regional que contribuiu não só para a formação da identidade cultural roraimense, mas também contribuiu para a aquisição de uma da auto estima local que se sente privilegiada de ter em suas terras frutos da valorização e resistência cultural.

Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Thiago Briglia
Co-produção: Thiago Chaves Briglia | Promídia | UNIVIRR - Universidade Virtual de Roraima | ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas e Educativas

DOCTV: Filhos do Jaú


O saber popular está perdendo a sua credibilidade e seu valor, pesquisas científicas são sempre reconhecidas e o mérito de suas realizações fica apenas com o pesquisador que foi a campo buscar na fonte uma resposta para sua pesquisa deixando seus auxiliares e não menos importantes, na sombra da ciência.

Com o objetivo de equiparar a importância do saber popular e do saber cientifico de pesquisadores e guias da população ribeirinha do vale do jaú na região amazônica, o documentário “Filhos do Jaú” dirigido por Eliana Andrada, revela toda a cumplicidade necessária entre pesquisadores e filhos da terra para a realização e eficácia de uma pesquisa que beneficia a todos, mas que apenas valoriza o cientista.

O documentário acompanha uma equipe de pesquisadores, biólogos e botânicos que visam encontrar em suas pesquisas uma maneira de preservar a biodiversidade local e que dependem da eficiência e conhecimento dos guias para levarem a cabo suas intenções.

Ao longo do documentário tomamos conhecimento de toda necessidade de um bom “Mateiro” e seu conhecimento aprofundado sobre a floresta para guiar a equipe de pesquisadores em suas pesquisas de campo pela floresta amazônica num ambiente hostil e de difícil sobrevivência sem o acompanhamento desses guias.

A riqueza e exuberância das imagens do Parque Nacional do Jaú conferem ao filme uma beleza natural e simples como o por do sol espelhado nas águas do rio ou mesmo as crianças que brincam e mergulham na beira do rio.

A simplicidade cotidiana da vida ribeirinha revela o acordo com a natureza em extrair de maneira consciente apenas aquilo que lhe é necessário para sua sobrevivência valorizando os costumes e tradições sustentáveis que são passadas ao longo dos anos de pais para filhos e que com a valorização do trabalho do “Mateiro” traria também uma auto estima que manteria essa tradição para que no futuro esses anônimos possam também serem reconhecidos como colaboradores dessas pesquisas da qual sem suas participações, não existiriam.

Construído de forma convencional com depoimentos dos pesquisadores e guias o documentário não supervaloriza o trabalho desses conhecedores da floresta e sim busca revelar a importância coletiva de um trabalho de pesquisa que não se realiza apenas com o saber científico do pesquisador chefe, e sim com o trabalho de uma grande equipe com suas devidas funções equiparadas.

Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autora e Diretora: Eliana Andrade
Co-produção: Eliana dos Santos Andrade | Amazon Picture | TV Cultura do Amazonas | ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

DOCTV: "Oito ou Oitenta"



"Aqueles que olham é que fazem os quadros” (Marcel Duchamp)

Toda a efervescência artística dos anos oitenta pode ser pensada a partir do grito recalcado por mais de uma década de ditadura militar, a cena artístico-musical da cidade de Belo Horizonte na década de oitenta reflete toda a vontade de expurgar essa frustração, angustia e radicalidade engasgada durante esse período obscuro.
O documentário “Oito ou Oitenta” co-dirigido por Lucas Bambozzi e Rodrigo Minelli, busca resgatar e rememorar o que foi essa efervescência artística pós-punk, a partir de um encontro informal com os artistas transformadores daquela realidade pós-ditadura.
Esses agentes, artistas plásticos, músicos e performáticos, buscavam inspiração futurista, dadaísta e anárquica para passar a sua mensagem com o intuito de transformar transgredindo o Status Quo.
A anti-arte herdada em partes de Duchamp, que rompendo toda e qualquer possibilidade estética, mandou um mictório para ser avaliado como obra de arte, influenciou o movimento pós-punk dos anos oitenta que buscava uma arte original desprovida de predefinições, e academicismo, corroborando com o ideário “faça você mesmo” demonstrando a despretensão e que “tanto o sucesso como o fracasso eram coisas abstratas” (fala de uma das personagens).
O documentário segue essa estética transgressora com uma sucessão de imagens fotográficas, vídeos antigos dos shows, ruídos, elementos gráficos típicos dos anos oitenta e movimentos de câmera que rompem com os modelos predefinidos.
Em alguns momentos do filme os personagens assistem imagens da época e fazem comentários de si próprios, como a artista plástica que se diz um embrião de Ana Maria Braga por ensinar em um programa de TV a pintar assento para vasos sanitários.
Negar o “sucesso” e todas as formas de ascensão midiáticas é típico de todo movimento underground e é também um dos pontos que intrigam o espectador ao paradoxalmente ouvir ao longo do documentário, as personagens negarem o sistema, mas que ao final ao serem questionados sobre o motivo do fim do movimento, falam como teria sido suas carreiras, dizem que teriam mais espaço caso estivessem em São Paulo, Rio ou Europa.
Oito ou Oitenta é um filme que revela a veia artística de belo Horizonte nos anos oitenta e traduz toda a estranheza e excesividade dessa época sem meias palavras, em síntese, é um filme complexo e propositalmente incoerente que preenche uma lacuna deixada pelo “anonimato” desse movimento.
Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor: Rodrigo Minelli
Diretores: Rodrigo Minelli e Lucas Bambozzi
Co-produção: Rodrigo Minelli Arquipélago Audiovisual REDE MINAS ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ciclo folha de Cinema e Jornalismo

A partir da próxima terça-feira, dia 1º de setembro, a Folha de S.Paulo e o Espaço Unibanco de Cinema dão início ao Ciclo Folha Cinema e Jornalismo, que celebra os 20 anos da função de ombudsman do jornal Folha de S.Paulo.

Com exibição do longa-metragem Cidadão Kane, de Orson Welles, a abertura do Ciclo será seguida de debate com Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman do jornal Folha de S.Paulo e Sergio Rizzo, crítico de cinema.

O tema jornalismo está presente em todos os filmes da programação, que tem sessões sempre às terças-feiras, às 19h30, na sala 3 do Espaço Unibanco de Cinema, com entrada Catraca Livre.

Abaixo segue a programação completa do ciclo
Ciclo Folha Cinema e Jornalismo
De 01 de setembro a 31 de novembro
Entrada Franca - Sempre às 19h30
Espaço Unibanco de Cinema – Sala 3 – Rua Augusta, 1475 – Cerqueira César

Dia 01/09 (Terça-feira)
19h30 – CIDADÃO KANE (Citizen Kane) – 35mm
Diretor: Orson Welles – EUA – 1941 – 119 min. – 12 anos
Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten e Dorothy Comingore
Sinopse: Baseado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst, conhecemos a história de Charles Foster Kane, o homem que construiu um império a partir do nada, mas que vivia uma vida pessoal extremamente ruim. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro, é considerado um dos filmes mais importantes da história.
Após a sessão haverá debate com Carlos Eduardo Lins da Silva (ombudsman do jornal Folha de S.Paulo) e Sergio Rizzo (crítico de cinema)




Dia 08/09 (Terça-feira)
A MONTANHA DOS SETE ABUTRES (Ace in the Hole) - VHS
Diretor: Billy Wilder – EUA – 1951 – 111 min.
Elenco: Kirk Douglas, Robert Arthur e Porter Hall
Sinopse: Charles Tatum é um repórter que aceita um emprego num pequeno jornal do Novo México. O trabalho é bastante monótono, até que ele encontra um homem preso numa mina. Ele vislumbra a possibilidade de, ao prolongar a permanência do mineiro dentro dos escombros, a chance de se tornar famoso.



Dia 15/09 (Terça-feira)
A DOCE VIDA (LA Dolce Vita) – 35mm
Diretor: Federico Fellini – Itália/França – 1960 – 174 min.
Elenco: Marcelo Mastroianni e Anita Ekberg
Sinopse: A cultura italiana vista através da figura de um jornalista, amante inveterado, que se depara com a histeria do povo, resultado da possível ocorrência de um milagre. Palma de Ouro no Festival de Cannes.





Dia 22/09 (Terça-feira)
TERRA EM TRANSE – 35mm
Diretor: Glauber Rocha – Brasil – 1967 – 106 min.
Elenco: Jardel Filho, José Lewgoy e Paulo Autran
Sinopse: Eldorado, país fictício da américa latina, é um cenário de metáforas de um Brasil de corruptos que lutam pelo poder. A história é visto por um cínico jornalista, perdido entre a elite insana e o povo ignorante.



Dia 29/09 (Terça-feira)
PASSAGEIRO: PROFISSÃO REPÓRTER (Profissione: Reporter) – 35mm
Diretor: Michelangelo Antonioni – Itália/França/EUA/Espanha -1975 – 126 min.
Elenco: Jack Nicholson, Maria Schneider e Ian Hendry
Sinopse: Cansado da sua própria vida, o jornalista David Locke está cobrindo uma guerrilha na África e resolve assumir a identidade de um colega, quando este morre, envolvendo-se em uma perigosa trama.



Dia 06/10 (Terça-feira)
AUSÊNCIA DE MALÍCIA (Absence of Malice) - DVD
Diretor: Sydney Pollack – EUA – 1981 – 116 min.
Elenco: Paul Newman, Sally Field e Bob Balaban
Sinopse: Homem acorda e vê em matéria de jornal sua vida investigada profundamente. Todas as provas levam a ele. Junto da repórter, eles investigam o caso e o mistério atrás do fato.



Dia 13/10 (Terça-feira)
SALVADOR – O MARTÍRIO DE UM POVO (Salvador) - DVD
Diretor: Oliver Stone – EUA – 1986 – 123 min.
Elenco: James Woods, James Belushi e John Savage
Sinopse: No cenário da guerra civil de El Salvador, jornalista fracassado tenta recuperar seu prestígio fazendo uma cobertura apurada. Ele documenta então as várias tragédias da guerra: a morte de um repórter fotográfico, o assassinato de religiosos e a invasão de cidades. O filme recebeu indicações para os Oscars de melhor roteiro e ator.



Dia 20/10 (Terça-feira)
NOS BASTIDORES DA NOTÍCIA (Broadcast News) - DVD
Diretor: James L. Brooks – EUA – 1987 – 133 min.
Elenco: William Hurt, Albert Brooks e Holly Hunter
Sinopse: O dia-a-dia de uma redação de jornalismo numa emissora de televisão. Entre a correria de colocar no ar todas as manchetes do dia, desenvolve-se uma trama que envolve romance, vaidade e disputas.



Dia 10/11 (Terça-feira)
FEITIÇO DO TEMPO (Groundhog Day) - DVD
Diretor: Harold Ramis – EUA – 1993 – 101 min.
Elenco: Bill Murray, Andie MacDowell e Chris Elliot
Sinopse: Jornalista vai com equipe para pequena cidade cobrir tradição local chamada ”dia da marmota”. Ele passa a acordar sempre neste mesmo dia, o que gera alegrias e desesperos.


Dia 17/11 (Terça-feira)
O CUSTO DA CORAGEM (Veronica Guerin) - DVD
Diretor: Joel Schumacher – EUA/Irlanda/Inglaterra – 2003 – 98 min.
Elenco: Cate Blanchet, Gerard McSorley e Barry Barnes
Sinopse: Cinebiografia da jornalista irlandesa que foi ameaçada por expor as ligações do tráfico de drogas com o governo de seu país


Dia 24/11 (Terça-feira)
O PREÇO DE UMA VERDADE (Shattered Glass) - DVD
Diretor: Billy Ray – EUA – 2003 – 103 min.
Elenco: Hayden Christensen, Chlöe Sevigny e Rosario Dawson
Sinopse: Stephen Glass é um jornalista que consegue entrar para a equipe principal do jornal The New Republic, de Washington. Entretanto, dos anos em que trabalha na redação, mais da metade dos textos de sua autoria ou foram inventados ou copiados, o que não impede seu crescimento. Porém sua fama vai por água abaixo após sua farsa ser descoberta.


Dia 31/11 (Terça-feira)
BOA NOITE, BOA SORTE (Good Night, and Good Luck) – 35mm
Diretor: George Clooney – EUA – 2005 – 93 min.
Elenco: George Clooney, David Strathairn e Robert Downey Jr.
Sinopse: Edward R. Morrow é um âncora de TV que, em plena era do macarthismo, luta para mostrar em seu jornal os dois lados da questão. Para tanto ele revela as táticas e mentiras usadas pelo senador Joseph McCarthy em sua caça aos supostos comunistas. O senador, por sua vez, prefere intimidar Morrow ao invés de usar o direito de resposta por ele oferecido em seu jornal, iniciando um grande confronto público que trará conseqüências à recém-implantada TV nos Estados Unidos.

OBS: HAVERÁ UMA INTERRUPÇÃO NO MÊS DE OUT/NOV DEVIDO A MOSTRA INTERNACIONAL DE SÃO PAULO.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

DOCTV: Álbum de Família


Por: João Daniel Donadeli
Álbum de família é um documentário que visa resgatar os laços perdidos pela desestrutura familiar causada pela infidelidade e falta de compromisso da figura paternalista que “regia” a família do diretor.
Após a morte traumática de sua mãe por um câncer de mama contraído depois de uma separação frustrante, que teve inicio com as constantes traições do marido que simultaneamente convivia com três famílias, o diretor Wallace Nogueira, busca um reencontro com o pai, para reaver metaforicamente o álbum de família deixado em uma antiga fazenda onde a família costumava se reunir.
Esse encontro se dá na empreitada de uma viagem longínqua pelas estradas da chapada diamantina no interior da Bahia em direção a Fazenda, estrada que refaz as memórias de outrora e que liga Wallace a seu pai, um trajeto que visa não só a troca de experiências, sentimentos e memórias de convívio, mas também confidências que fazem aflorar um sentimento de culpa.
Um momento muito marcante desse documentário são as imagens captadas por Wallace no enterro de sua mãe, essas imagens são potencializadas pelo questionamento do pai pelo filho em off, onde se ouve o pai dizer que o câncer foi contraído pelo desgosto da mãe por sua má conduta e pela separação.
A proposta utilizada pelo diretor para revelar essa reaproximação com seu pai, são planos montados e encenados pelos dois sem que nenhum fale diretamente para a câmera ou para qualquer outro interlocutor, como se o espectador fosse um observador privilegiado desse diálogo cheio de emoção e revelações.
A partir de situações corriqueiras da vida de seu pai, como deixar de comprar um queijo para levar um filme fotográfico, Wallace busca demonstrar a importância que tem para a família, o registro fotográfico de um álbum familiar, porém contraditoriamente expõe a sua opinião com relação ao modelo familiar vigente que diz não acreditar.
Com o pretexto de reaver o álbum de família na verdade Wallace busca uma resposta para sua inquietude, desvelando sua intenção de suscitar a catarse e purgar toda a frustração que a morte de sua mãe lhe causou.
Por fim Álbum de família é um documentário que demonstra a ruína de uma família quando os interesses pessoais estão além dos interesses coletivos.
Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Wallace Nogueira
Co-produção: Wallace Nogueira Santos Silva Vogal Imagem IRDEB - TVE Bahia ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais

DOCTV: O Rei do Carimã

Por: João Daniel Donadeli

O documentário “O Rei do Carimã” busca resgatar um acontecimento obscurecido por anos pela família da diretora Tata Amaral e que no dia do enterro de sua mãe vem à tona por um comentário de um de seus tios, esse acontecimento diz respeito ao já falecido pai da diretora, que na década de 1950 negociava resíduos de algodão conhecido como Carimã.

O comentário feito pelo tio revelava que no passado seu pai havia sido um homem bem sucedido e que por um negócio mal sucedido com uma empresa americana na aquisição de uma grande quantidade de Carimã teria sido processado por ter feito o pagamento com um cheque sem fundos e fugido para o mato grosso para não ser preso.

Esse fato motiva a diretora a empreitar uma busca para desvendar esse segredo guardado por anos por sua família e consequentemente a realização desse documentário.

Em conversas informais com seus tios, o segredo vai sendo desvendado e causando uma inquietação maior na diretora, em um primeiro momento somos apresentados a Joaquim Amaral (Pai) um jovem bem quisto e admirado pela família e que aspirava sua predileção empreendedora, mas logo após tomamos conhecimento de novos fatos e o documentário tem um novo foco, não mais um segredo de família e sim um inquérito policial.

Alternadamente, enquanto as imagens revelam a busca de um pai desconhecido, na ilha de edição Jean Claude Bernardet, põem a diretora no divã questionando-a quanto a sua motivação em fazer o documentário colocando assim o filme num plano metalingüístico e expondo a sua construção.

O Rei do Carimã expõe intensamente a diretora que torna público um segredo escondido por anos em família, mas a maior exposição de Tata é quando recebe a noticia da condenação de seu pai por estelionato, sua lagrimas correm pelo rosto enquanto uma voz off, possivelmente de sua filha diz: “não acho que isso deva aparecer no documentário”.
Com o processo resgatado em mãos sabemos que seu pai havia de varias formas tentado fazer o acerto de contas, porém a inflexibilidade da empresa americana impossibilitava qualquer negociação levando o processo até as últimas.

O mais intrigante nesse documentário não é a questão de uma diretora renomada expor sua intimidade familiar em um documentário mesmo que fosse para limpar publicamente o nome de seu pai, e sim a questão que surge sobre a convivência da filha com o pai que não lembra nem mesmo se teria participado de seu enterro, e até a realização desse documentário não havia nem mesmo visitado sua sepultura, aparentemente a maior motivação para a realização desse filme é a aproximação da filha com o pai que não conheceu.

Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autora e Diretora: Tata Amaral
Co-produção: Tata Amaral Tangerina Entretenimento Fundação Padre Anchieta – TV Cultura


DOCTV: O Sol Sangra


Por: João Daniel Donadeli
A Estrada de ferro Carajás, que interliga as cidades de Parauapeba-PA a São Luís-MA é sem dúvida um agente causador de reminiscências. Homens que vão em busca de sonhos e Homens que voltam para matar a saudade, um conglomerado de sentimentos que transcendem o plano real e trafegam entre o espaço e o tempo, pelo sim e pelo não.
Toda a ansiedade e nervosismo que antecedem uma viagem se dissolve à medida que partimos e não mais somos detentores do tempo, dali pra frente estamos sujeitos a outra temporalidade a outra maneira de perceber o tempo o que nos faz regressar e consultar nossas memórias, mas também visitar a louca da casa e nos deixar levar pela imaginação. Imaginação que nos conduzem a nossa subjetividade na construção de um universo imagético e atemporal.
Essa é a proposta do documentário “O sol Sangra” de Val Barros, que busca por meio da metáfora do trem mostrar as subjetividades e memórias não só daqueles que trafegam na Estrada de ferro Carajás como suas próprias memórias.
O sol sangra é construído com imagens do trem em movimento sempre do ponto de vista de quem viaja, ou seja, a paisagem em movimento. Essas imagens são alternadas com imagens encenadas por pessoas simples e com muita naturalidade sugerindo suas próprias memórias.
Com toda a sutileza e ponderação Val, também é um personagem de seu próprio filme apresentando suas memórias e refletindo sua imagem nas passagens do trem, uma das cenas mais lindas do filme é a do garoto que observa seu pai partir à cavalo e voltar para buscá-lo, lembrança de infância da diretora.
Planos com movimentos lentos e detalhados dirigem o olhar do espectador e geram expectativas conduzindo a narrativa de maneira ativa fazendo com que os cinqüenta e dois minutos do filme pareçam quinze.
O mais surpreendente nesse filme são as fotos que choram, fotos que revelam Val, e seus irmãos diante de um pequenino caixão com o irmão falecido, essas cenas são de uma genialidade que somente uma mulher com toda a sua sensibilidade estética poderia nos proporcionar, a continuidade desse plano são crianças no trem além de uma mãe alimentando seu filho como se aquela imagem fúnebre e triste desse lugar a um renascimento com a mãe amamentando uma nova vida.
O sol sangra é um documentário silencioso e contemplativo onde os únicos ruídos que se ouve são aqueles que pertencem a própria cena sem trilha sonora ou depoimentos em of, mas no entanto é um filme que fala muito e que encanta por sua bela fotografia e encenações, um conjunto harmônico que faz aflorar toda a competência da diretora que estreia com chave de ouro.
Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autora e Diretora: Val Barros
Co-produção: Valdenira Barros Zen Comunicação Empresa Brasil de Comunicação – TV Brasil ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais

DOCTV: De Barra a Barra


Por: João Daniel Donadeli
Desde a chegada das estradas e do transporte rodoviário, a canoa de tolda, símbolo das águas do baixo São Francisco que compunha a paisagem do rio, esteve extinta. Herança dos holandeses, no passado navegava pelo Velho Chico transportando cargas e passageiros e compondo o imaginário daqueles que à viam da margem.
Com a iniciativa da ONG “Canoa de tolda”, uma das poucas canoas que resistiu ao tempo, passou por um longo processo de reforma antes de voltar a navegar. Denominada Luzitânia, a canoa centenária refez o trajeto de Barra a Barra que foi registrado no documentário dirigido por Carlos Eduardo Ribeiro, um dos idealizadores da ONG e principal responsável pelo projeto de reforma da canoa de tolda.
De Barra a Barra era a expressão usada pelos canoeiros para se referirem a longa viagem entre as cidades de Barra em Sergipe e Barra em Alagoas, viagem que somente os melhores canoeiros faziam.
O documentário que tem inicio com a partida da canoa em sua jornada para cumprir o trajeto entre o mar e o sertão, desponta a alegria de seus tripulantes em ver novamente um ícone do rio navegando pra “arriba” do sertão.
A paisagem exuberante novamente é composta pela canoa que da margem, pode ser vista navegando rio a cima levada pelo vento e pela emoção de seus ocupantes. No caminho novos personagens sobem a bordo e engordam as historias e a poética da viagem que é ditada pelo vento.
Histórias contadas a bordo mostram que a canoa teve seus tempos áureos quando personalidades históricas se deixavam levar pelas águas do rio São Francisco, como Lampião e seu bando que pegaram uma carona na velha Luzitânia durante suas muitas andanças.
Um incidente, durante a viagem muda o rumo das filmagens e acaba por ser a razão de encontros em terra firme com os artesãos ribeirinhos que demonstram suas práticas culturais para construírem embarcações e refazerem suas memórias.
Carlos também é personagem de seu próprio filme que na tentativa de revelar seus personagens também é revelado, sua paixão pela canoa vem a tona a medida que o documentário se desenvolve e podemos velo correndo de um lado para outro para manter a canoa navegando.
O dialogo entre os personagens carregado de um sotaque inconfundível e a simplicidade da vida ribeirinha revelam histórias cativantes e impensáveis, como a história narrada por um dos personagens que conta sua primeira vez numa sala de cinema.
A trilha sonora está tão bem alocada ao filme que é impensável dissocia-lá das imagens e do tempo fílmico que é conduzida pelo sopro do vento e pela resistência das águas.
Tanto como personagem como agente reveladora de nostalgias e emoções a canoa Luzitânia esta de volta as águas do velho Chico para além das oralidades, reavivando memórias e conduzindo antigos navegantes com idades avançadas a reviverem momentos de outrora e talvez a “derradeira” viagem.
Ficha Técnica
Duração: 52 minutos
Autor e Diretor: Carlos Eduardo Ribeiro Jr.
Co-produção: Carlos Eduardo Ribeiro Jr. Canoa de Tolda TV Aperipê ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais


"De Barra a Barra" (trailer) from aperipe tv on Vimeo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

FICCO - 2009


Estão abertas até o dia 30 de outubro as inscrições para o 7º Festival Internacional de Cine Contemporáneo de la Ciudad de México (Ficco). O evento acontece na capital mexicana de 24 de fevereiro a 7 de março de 2010. Serão aceitas as inscrições de longas-metragens de ficção e documentários que tenham sido realizados em 2009 e ainda não tenham sido exibidos no México. Mais informações e inscrições no site: www.ficco.com.mx.
Fonte: tela viva

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Exibição PERIFERIA.COM 20/08

Clique na imagem para ver com melhor resolução.

O Documentário PERIFERIA.COM será exibido na próxima quinta feira 20/08 no CINECLUBE PÓLIS.
Após a exibição haverá debate com os diretores: João Daniel e Alexandre Rampazzo.

Endereço do Cine Pólis
RUA ARAÚJO, 124, CENTRO
ESQUINA COM A GAL. JARDIM, PRÓXIMO AO METRÔ REPÚBLICA

Veja o teaser:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DOCTV IV - Morro do céu


Por: João Daniel Donadeli


No alto de uma montanha da Serra Gaúcha, demora-se o vilarejo Morro do Céu, uma comunidade de descendentes de italianos que foi palco para o documentário homônimo.

Morro do Céu, dirigido por Gustavo Spolidoro (de Ainda Orangotangos), contempla o universo jovem, com suas vivências, conflitos e descobertas.

Parte da proposta de observação direta do cotidiano do jovem Bruno Storti, personagem que conduz a narrativa, sem recorrer a entrevistas “posadas”, aproximando-se do que se denomina cinema direto, mas com uma particularidade ímpar.

A proximidade com Bruno resulta na revelação das inseguranças do rapaz, como o primeiro amor e o sufoco para fechar as notas do colégio no final do ano, e também na celebração da amizade e da camaradagem do rapaz e seus amigos.

O documentário se assemelha, assim, ao filme Conta Comigo, dirigido por Rob Reiner em 1986, em que um grupo de amigos de pequeno vilarejo vive os dias de verão buscando aventura nos trilhos do trem, se autodescobrindo e antecipando uma nova fase de suas vidas.

Para o espectador, o jovem Bruno serve como condicionante para o mergulho em nossas próprias experiências, em nossas memórias de adolescência, numa nostalgia encantadora. Revivemos, com Bruno, essa fase mágica e efêmera de nossas vidas, sonhando com que o boletim fosse outra vez o maior problema de nosso mundo.

A vida de um adolescente num vilarejo rural, com uma repressão social própria, em que todos são observados por todos, se descortina não só na timidez aparente, mas também na ingenuidade do jovem em sua autodescoberta e na intenção de desbravar novos caminhos, de países longínquos, como o próprio Bruno revela numa conversa com os pais.

A maneira encontrada para levar ao cinema essa proposta experimental, descompromissada com rótulos de gênero, é reveladora de uma realidade que só se obtém pela cumplicidade de todos.

Gustavo Spolidoro, o diretor, trabalhou sozinho, captando aquilo que decorria diante das lentes, numa ousadia que talvez não funcionasse com uma equipe. A opção pela intimidade inclusive técnica, sem a parafernália tipicamente cinematográfica, de tripés, refletores, gruas, trilhos etc., colocou todos em posição de igualdade.

Por isso a câmera “sumiu” e a realidade despontou.

Morro do Céu (Brasil, 52 min.)
Autor e diretor: Gustavo Spolidoro


segunda-feira, 27 de julho de 2009

DOCTV - Divino Encanto


Por: João Daniel Donadeli


A Festa do Divino é um culto ao Espírito Santo em suas diversas manifestações e está entre as mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular. As cantorias e marchas pelo divino, chamadas de desobriga, são tradicionais em muitas regiões brasileiras. Um rito mítico-religioso trazido pelos colonizadores que se perpetuou pelas rememorações e crenças populares.

Para retratar esse misticismo dos cantadores do divino do sertão do Piauí, o documentário Divino encanto, de Luciano Klaus, traça um paralelo entre o sagrado e o profano, através de retratos cotidianos do sertanejo e da figura transcendente do mito. Sagrado, aqui entendido como o mito das manifestações que transcendem o plano real; e profano, como as ações cotidianas que se fundem com o sagrado, nos dias de desobriga.

Os sulcos no rosto do sertanejo revelam a peleja de uma vida, o falar simples descompromissado e cativante constrói o personagem sobre ele mesmo. As dificuldades e os obstáculos para cumprir sua catarse fazem parte da penitência e resistência para se obter a graça.
Além do aspecto de força, pois “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, na imagem de Euclides da Cunha, esse homem e suas práticas culturais também exercem fascínio na maioria de nós, de um lado, pelo exotismo e, de outro, pela necessidade que temos de conhecer o próximo.

O documentário de Luciano Klaus é construído dentro desse universo mitológico da cantoria do divino, a música e a fé desmedida, em consonância com a lida diária.
Céu azul intenso, terra seca e rachada e a vegetação da caatinga compõem o cenário sertanejo; imagens sacras, estandarte, instrumentos de corda e percussão e as vozes da cantoria criam o universo ritualístico sagrado.

A fé é algo intrínseco à vida sertaneja: não se fala em sertão sem que se fale de religiosidade, não se fala em sertanejo sem expor a sua fé. Dessa maneira, os personagens revelam a atmosfera transcendente e imagética naturalmente, tanto em suas ações diárias, quanto em suas práticas religiosas.

Essas práticas, ao longo dos anos, sofrem alterações e correm o risco de se tornar cada vez menos frequentes e até desaparecer, daí a importância de seu registro documental.
Divino encanto está sendo exibido nas tevês públicas e faz parte da quarta edição do DOCTV, programa federal de incentivo à produção e difusão de documentários.

Divino encanto (Brasil, 52 min.)
Autor e Diretor: Luciano Klaus

PERIFERIA.COM


Por: João Daniel Donadeli


As lan houses invadem as regiões pobres e periféricas da metrópole e mudam o cotidiano de seus moradores; comerciantes locais, levados pelo vácuo digital, sem ao menos ter tido algum contato com o computador, se aventuram na empreitada de uma lan house; a periferia das cidades, com todas as suas carências, absorve vorazmente esse novo meio de “entretenimento” como se fosse o único, o que, de certa maneira, é.

Eis o cenário que queria retratar em Periferia.com, projeto selecionado pela quarta edição do DOCTV, programa federal de estímulo à produção de documentários.

E a ideia para o que se tornaria o documentário Periferia.com surgiu assim: depois de mais de quinze anos morando na periferia e, como a maioria, trabalhando em outras regiões, observava que as lan houses, inicialmente exclusivas das regiões mais ricas, começavam a pipocar na periferia paulistana.

Escolhi um parceiro, para revelarmos juntos esse processo: Alexandre Rampazzo, documentarista que conhecera na faculdade, depois de ter escrito um comentário sobre filme de sua autoria que retratava o trabalho escravo.

Desde o início da produção, nosso propósito era o de revelar as mudanças cotidianas das crianças da periferia, que sempre improvisaram momentos de diversão com pipas, carrinhos de rolimã, partidas de futebol no campinho. Percebíamos que essas brincadeiras mais tradicionais cediam espaço aos atrativos dos computadores das lan houses.

Porém, foi só em campo que as coisas tomaram forma. Descobrimos que as mudanças seguiam a ordem natural da própria era digital, e aquelas brincadeiras “analógicas” que ficavam para trás apenas acompanhavam um processo de renovação.

Decerto não podíamos esperar que, em pleno século XXI, a molecada, mesmo pobre e periférica, se mantivesse contraditoriamente “alienada” aos novos tempos.

Em campo, também percebemos que as lan houses que motivaram o Periferia.com eram apenas a ponta do iceberg digital e que outras já estavam lá, no gueto dos guetos, havia muito mais tempo.

O critério de escolha dos personagens privilegiou gente de fato envolvida no processo de inclusão tecnológica da periferia e não apenas especialistas acadêmicos, opinando, muitas vezes, sobre um processo totalmente alheio e desconhecido.

Por isso, proprietários de lan houses, líderes comunitários, crianças da quebrada e coordenadores de ONGs de inclusão digital são a voz fundamental do documentário, as fontes principais. E todos, incluindo os especialistas ouvidos, não são identificados no filme por sua posição social, ou cargo. Periferia.com quis colocar todos em um único patamar conceitual.

As animações em Blender 3D são parte do que se pretendia revelar da mudança: a imagem animada ficcionalmente sobre um processo real em transformação, com base nas novas tecnologias.

Quando se busca retratar a realidade da maneira como se apresenta, a maior dificuldade que o documentarista encontra é fazer com que essa realidade se encaixe em seu projeto, e é claro que ela se nega a ser conduzida.

Então coisas acontecem sem que se possa prever. Foi o que aconteceu com a maioria dos nossos personagens, que assumiam a direção das entrevistas e entrevistavam pessoas que não estavam na pauta, como o diretor da escola que conversa com a classe e o radialista que entrevista os rappers. A grande sacada de Periferia.com, na minha modesta opinião, é exatamente essa: dar voz à periferia e deixar que ela fale por si.

Em síntese, Periferia.com revela essa gente marginalizada e isolada pela segregação econômica e social, que encontra nas lan houses não só uma forma de entretenimento, mas também uma maneira de se mostrar para o mundo e também de ver o mundo. É um modo de participar desse processo global e hegemônico como pode, com os meios que lhe são disponíveis.

Periferia.com (Brasil, 52 min.)
Autor: João Daniel Donadeli
Diretores: João Daniel Donadeli e Alexandre Rampazzo

sábado, 4 de julho de 2009

Entrevista João Daniel Donadeli- PERIFERIA.COM


www.periferia.comdocumentario.blogspot.com

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PERIFERIA.COM - DIA 03/07 às 22:40




Periferia.com estreia sexta feira dia 03/07 às 22:40 na TV CULTURA - DOCTV IV, imperdivel...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Valsa com Bachir


Por: João Daniel Donadeli


Depois que as tropas israelenses invadiram o Libano, em 1982, supostamente para conter os ataques terroristas atribuídos à OLP - Organização pela Libertação da Palestina, considerada pela liga árabe a única representante legitima do povo palestino - deu margens para que um grande massacre de palestinos fosse posto em prática por parte da falange cristã, organização político-militar.

O assassinato do presidente recém eleito do Líbano e líder da falange cristã, em quatorze de setembro de 1982, foi o pivô do massacre que tirou a vida de inúmeros civis palestinos nos campos de refugiados Sabra e Shatila, em Beirute. Em um primeiro momento, o atentado foi atribuído aos palestinos da OLP, por esse motivo, os campos foram invadidos pela falange cristã e o massacre efetuado sob a proteção de tropas israelenses. Dias mais tarde soube-se que o autor do atentado, que matou Bachir Gemayel e mais vinte seis pessoas, era também um cristão maronita, do partido pró Líbano, que acreditava que Bachir havia vendido o país aos israelenses.
Ari Folman, cineasta israelense, foi testemunha desse massacre quando com dezenove anos servia às tropas israelenses em seu período obrigatório.

Valsa com Bachir surge da vontade do diretor de reaver suas memórias de guerra perdidas por um processo de escape psicológico, se valendo de terapias e conversas com antigos amigos que também estiveram em Beirute na mesma época.
O documentário em animação mostra a trajetória de Ari Folman em busca de suas memórias do terrível ano de 1982, quando esteve em Beirute a serviço da IDF - Israeli Defense Force.

A Narrativa é conduzida pelo desvelar das histórias que são contadas durante as visitas que o Diretor faz a alguns amigos, cada nova personagem que surge temos um pouco do que foi a invasão das tropas israelenses no Líbano pela visão de exsoldados. Dessa forma, Folman busca uma tentativa de mostrar o lado humano dos soldados israelenses que ali estavam com todas as suas fraquezas.

A estratégia de fazer um documentário de um tema tão polêmico, em animação, com um grande realismo e narrado em primeira pessoa, demonstra que o diretor não se ausenta da culpa, mas ameniza o impacto das imagens reais e possibilita uma reflexão sobre o outro lado da moeda, para que a unidade de cada um não seja pré-julgada com olhos no todo.

Por outro lado, a beleza das imagens, a poética da narrativa e a belíssima trilha sonora, envolvem o espectador em um ninho de perfeição estética, onde não se pode sentir o peso do massacre de Sabra e Shatila. Esse mecanismo de distanciamento não mascara o filme, apenas diminui o impacto sensacionalista e violento que poderia divergir da proposta do diretor de fazer um filme antiguerra, antiviolência.

Valsa com Bachir é extraordinariamente um belíssimo presente visual, uma obra de arte, uma luz em meio aos conflitos atuais e perpétuos entre as divergências religiosas e a intolerância “desumana”.

Ficha técnica:
Valsa com Bachir: (Waltz With Bashir, Israel, Alemanha, França, EUA, Finlândia, Suíça, Bélgica, Austrália, 2008) 86 mim.
Gênero: Documentário, animação.
Direção: Ari Folman
Roteiro: Ari Folman



terça-feira, 19 de maio de 2009

periferia.com DOCTV IV



A série de documentários DOCTV IV vai ao a apartir de 5 de junho, ás 22:30. O documentário Periferia.com, que tem como tema as lan houses da periferia será exibido na sexta feira dia 3 de julho. www.periferiapontocomdocumentario.blogspot.com

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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Garapa amarga


Por: João Daniel Donadeli


"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".( Josué de Castro)

Ao escrever, em 1946, o renomado livro “Geografia da Fome”Josué de Castro, afirmava que a fome não era um problema natural, isto é, não dependia nem era resultado dos fatos da natureza, ao contrário, era fruto da ação humana, ou melhor da falta da ação humana para com seus semelhantes, a centralização do capital na mão de poucos e a fome na boca de muitos.

Os tempos são outros, mas a má distribuição de renda e o descaso ainda são o mesmo. Em pleno século XXI as pessoas ainda morrem de fome e não há uma perspectiva de melhora.

O premiado diretor brasileiro José Padilha, ( Tropa de elite) de volta ao documentário com seu novo filme ”Garapa” teve a intenção de mostrar a fome em seu estado natural, retratando o cotidiano de três famílias do nordeste brasileiro, que sofrem com a fome e a desnutrição por uma alimentação pobre em nutrientes, como a garapa (neste caso, água com açúcar) oferecida as crianças para saciar a fome congênita.

As imagens que se vê em Garapa são extremamente desconcertantes, que causam um estranhamento no espectador, por algum momento pode parecer que sejam sensacionalistas ao extremo, e, no entanto uma reflexão pode nos trazer um entendimento mais profundo sobre a intencionalidade de cada cena. A fotografia em preto e branco causa um distanciamento, como se aquela realidade fosse algo passado, distante dessa realidade presente.

O recorte proposto entre as três famílias nordestinas não particularizam ou regionalizam o filme, pois a fome está em todos os lugares inclusive nas grandes capitais. Fazendo uso do cinema direto com poucas interferências visíveis, Padilha busca trazer o dia a dia dessas famílias, com seus conflitos e reflexos da miséria, personagens marcantes que acentuam a intencionalidade de colocar o espectador dentro do filme vivenciando cada situação.

Um “filme feio e muito triste”, um grito desesperado por socorro, que choca o espectador que se vê impotente, engessado diante da poltrona enquanto imagens da violência da fome se projetam na tela do cinema. Imagens em preto e branco para serem suportadas, um realismo critico até um tanto exacerbado, mas com base no artigo “a estética da fome” de Glauber Rocha, podemos discernir melhor, “...Nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.”

Garapa é um filme verdade, é um soco na boca do estomago do comodismo e uma resposta ao falso assistencialismo, é um olhar aos extremos que fazem parte do todo, é um filme que faz o público pensar e refletir a cada grão de pipoca consumido na sala escura, um filme manifesto, uma critica a sociedade consumista e fútil que nunca a sentiu fome, um filme que leva um tempo para ser processado, mas que todos deveriam ver, refletir, indagar e debater.

Garapa, documentário, Brasil-RJ 110mim, P&B, 35mm, 2008
Direção: José Padilha.
Roteiro: Felipe Lacerda e José Padilha