segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Festival de Gramado - Corpos Celestes

Por: João Daniel Donadeli

Corpos celestes é um filme que narra a história de Francisco um astrônomo que deve a um acontecimento do passado toda a sua prolífica carreira.
Francisco é um astrônomo bem sucedido que dá aula em uma universidade de Curitiba, fechado em seu próprio mundo tenta conviver com a insignificância do ser humano diante da imensidão do Cosmo.
O filme é narrado em dois tempos um enquanto francisco ainda é chiquinho vivendo sua infância de descobertas em um pequeno vilarejo rural do interior do Paraná e uma segunda parte que é realmente quando começa o filme nos dias de hoje na capital.
Francisco vive apenas para sí, mas Diana uma bela mulher muito à vontade com seu posicionamento com relação ao cosmo, muda sua maneira de perceber o mundo e choca seus sentimentos quando em um dia resolve sumir sem dar noticias.
Enquanto busca por Diana descobre segredos da moça como se estivesse na verdade descobrindo os seus próprios sentimentos dando origem a um retorno no passado para resolver algo que ficou para trás.
Corpos celestes é um filme que tenta mostrar como o homem se preocupa com toda a grandiosidade do universo, mas muitas vezes não volta os olhos para seu interior em busca de seus próprios sentimentos.
O filme que fecha a exibição da mostra competitiva em Gramado ao final foi aplaudido calorosamente, mesmo não sendo um dos filmes cotados para o prêmio há rumores que esteja entre os campeões.
Ficha Técnica:
Corpos Celestes, Brasil 90min HD Ficção
Direção de MARCOS JORGE E FERNANDO SEVERO
Roteirista: CARLOS MAGALHAES,MARIO LOPES,M. JORGE,F.SEVERO
Produtor Executivo: CLAUDIA DA NATIVIDADE
Atores: DALTON VIGH, RODRIGO CORNELSEN
Atrizes: CAROLINA HOLANDA
Atores Coadjuvantes: ALEXANDRE NERO, ANTAR ROHIT, JEFF BEECH
Atrizes Coadjuvantes: Olga Nenevê, Pagú Leal
Diretor de Fotografia: KATIA COELHO
Diretor de Arte: DANIEL MARQUES
Montagem: CAIO COBRA E MARK ROBIN
Música: RURIA DUPRAT
Palavras do diretor antes da estreia:
Quando a gente faz um filme é como construir uma espaçonave, viajem nessa espaçonave e voltem com ótimas lembranças.

Perfil dos Diretores:

Marcos Jorge estreou como diretor com “Estomago”, filme brasileiro mais premiado do ano de 2008, venceu 15 prêmios no exterior e 20 no Brasil.
Fernando Severo já é um conhecido de Gramado ganhou vários Kikitos no festival com os filmes “O mundo Perdido de Kozak”, “Visionários” e Paisagem de meninos”.

Festival de Gramado - Gigante

Por: João Daniel Donadeli

As aparências enganam, um homem grande vestido de preto com camisetas de bandas de rock, aparenta ser um “ogro selvagem”, mas na verdade é um grande bonachão preocupado com as pessoas que estão a sua volta.
Esse homem é Jara um segurança de um supermercado de Montevidéu que vive uma vida pacata jogando videogame com seu sobrinho e cooperando com seus amigos de trabalho, um dia se apaixona por uma jovem que trabalha na limpeza e passa a observa-la pelas câmeras de segurança, com o passar dos dias, esse voyeurismo inofensivo passa a ser uma obsessão e Jara começa a segui-la pelas ruas da cidade.
Assim como Jará apenas observa a moça de longe ou pelas câmeras de segurança o espectador também apenas observa de longe, nunca chegamos a saber quem era realmente aquela garota que despertara em Jará essa obsessão, o foco do filme é inteiramente voltado para o personagem e apenas contemplamos aquilo que ele contempla sem que seja oferecido nenhuma antecipação para espectador.
O titulo Gigante do filme que em um primeiro momento poderia ser ligado apenas a estatura do personagem, sugere também essa “gigante” confusão que causamos por uma coisa que poderia ser resolvida apenas com uma aproximação.
O filme ainda da conta de pincelar temas como o movimento sindical que corre por debaixo dos panos entre os funcionários do supermercado que temem uma demissão em massa.
Gigante é uma filme despretensiosamente gigante, um filme que em sua estreia num dos maiores e mais respeitados festivais do mundo como o de Berlin levou o urso de Prata no mesmo ano em que “La teta assustada” levou o urso de Ouro, é sem dúvida outro grande concorrente ao prêmio de melhor longa estrangeiro, mas o grande sucesso do filme já foi celebrado por ser um dos poucos filme Uruguaios de baixíssimo orçamento que rompem as barreiras do país e ganham repercussão internacional.

Ficha técnica:
Gigante, Urugaui, 2009 – 90 min HD Ficção
Direção de ADRIÁN BINIEZ
Roteirista: ADRIÁN BINIEZ
Ator: HORÁCIO CAMANDULE
Produtor Executivo: AUGUSTINA CHIARINO ,FERNANDO EPSTEIN
Diretor de Fotografia: ARAUDO HERNANDEZ
Diretor de Arte: ALEJANDRO CASTIGLIONI
Montagem: ADRIÁN BINIEZ
Música: ALEJANDRO CASTIGLIONI

Palavras do Ator antes do Filme:
Gigante é uma história de amor, não como essas que estamos acostumados a ver, vejam se apaixonem e curtam...
Perfil do Diretor:
Adrián Biniez nasceu em Buenos Aires, Argentina em 1974, em 2003 mudou-se para o Uruguai onde vive até hoje, fez uma pequena participação no filme “Whisky” dos diretoretores uruguaios Juan Pablo Rebella , Pablo Stoll , trabalhou como roteirista na serie televisiva “El fin del Mundo”. Com seu curta metragem “8 horas” recebeu o prêmio de melhor filme no festival de cinema independente de Buenos Aires e também o primeiro prêmio do festival cinematográfico do Uruguai. Gigante é seu primeiro longa metragem.

Festival de Gramado - Em Teu Nome

Por: João Daniel Donadeli

As profundas feridas provocadas pelo golpe militar de 1964, que instaurou uma sangrenta ditadura no Brasil, ainda não foram totalmente cicatrizadas.
Inspirado neste tenso período da história recente do país, “Em Teu Nome”, é baseado na história real do estudante brasileiro João Carlos Bona Garcia, exilado político da década de 1970.
O filme narra a trajetória de Boni um jovem estudante de engenharia que se vê envolvido na luta armada do início dos anos 70.
Preso e exilado, perambula por vários paises Chile, frança, Marrocos sempre engajado na luta política. Com todas as mudanças ocorridas em sua vida, mergulha em seus pensamentos fazendo uma autocrítica de sua trajetória contemplando hoje sua visão de mundo.
Mais do que exibir cenas explícitas de tortura típicas de filmes sobre este período Em Teu Nome prioriza o diálogo e a ação dos protagonistas, materializando o desejo de liberdade daquela geração.
O mais interessante no filme é sua abordagem humana, é mostrar que pessoas que vivenciaram e sofreram na pele a repressão da ditadura tiveram rosto, família, caráter e muita coragem para superar todas as adversidades.

Ficha técnica:
Em Teu Nome, Porto Alegre- 2009- 100 min HD Ficção
Direção:Paulo Nascimento
Roteirista: Paulo Nascimento
Produtor Executivo: Marilaine Costa
Atores: Leonardo Machado
Atrizes: Fernanda Moro
Atores Coadjuvantes: Nelson Diniz
Cezar Troncoso
Marcos Paulo
Atrizes Coadjuvantes: Julia Feldens
Silvia Buarque
Diretor de Fotografia: Roberto Laguna
Diretor de Arte: Voltaire Dancwardt
Montagem: Marcio Papel
Música: André Trento

Perfil do diretor:
Cineasta nascido no Rio Grande do Sul, tem experiência com publicidade e televisão, tendo dirigido a minissérie A hora do louva-a-deus (1996), veiculada no Canal Brasil e em televisões em Cuba e Portugal. Iniciou a carreira no cinema com o curta O chapéu (1996). Pioneiro do festival de gramado teve seu primeiro longa “Diário de um novo mundo” (2005), lançado no Festival, onde ganhou os prêmios de melhor roteiro e melhor filme pelo público. Em 2007, também no Festival de Gramado, lançou Valsa para Bruno Stein, que rendeu o Kikito de melhor atriz para Ingra Liberato.

Festival de Gramado - Lluvia

Por:João Daniel Donadeli

Lluvia narra um encontro totalmente inusitado entre duas pessoas em um engarrafamento de transito em Buenos Aires de baixo de uma forte chuva que dura três dias.
Após esse encontro improvável em que Roberto entra no carro de Alma para se livrar de uma encrenca, os dois começam a dialogar e conhecer um ao outro.
Alma é uma mulher que está confusa depois de ter saído de casa depois de nove anos de casamento, vagando pelas ruas engarrafadas de Buenos Aires e surpreendida por Roberto e diante de sua solidão busca nesse desconhecido uma pessoa para conversar e compartilhar seus anseios e frustrações.
Roberto é argentino, mas a muitos anos vive na Espanha, depois de trinta anos volta para reencontrar o pai que está em coma e o qual não vê e nem tem noticias desde sua partida, angustiado por buscar uma forma de se encontrar com esse homem do passado sem que aja mais tempo, encontra em Alma uma maneira de processar todo esse desacordo.
Banhados pela chuva, os dois passam três dias se conhecendo e tentando processar suas próprias incertezas medos e angustias.
Lluvia é um filme complexamente humano com diálogos e situações inusitadas que demonstram quão somos passivos com relação a nossas vidas, sentimentos e frustrações.
Com uma belíssima fotografia, trilha sonora idem e um roteiro inteligente e bem resolvido Lluvia é um filme que mesmo tendo sido prejudicado pela exibição após a caótica aparição da rainha dos baixinhos é um forte concorrente a levar o kikito de melhor filme estrangeiro.
Ficha técnica:
Lluvia – Argentina, 2008 -110 min 35mm- Ficção
Direção: PAULA HERNÁNDEZ
Roteirista: PAULA HERNÁNDEZ
Produtor Executivo: JUAN PABLO GALLI-JUAN VERA-ALEJANDRO CACETTA
Atores: ERNESTO ALTERIO
Atrizes: VALERIA BERTUCCELLI
Diretor de Fotografia: GUILLERMO NIETO
Diretor de Arte: MERCEDES ALFONSIN
Montagem: ROSARIO SUAREZ
Música: SEBASTIAN ESCOFET

Palavras da diretora antes da exibição.

No meio do falatório e da confusão causada pela presença da rainha dos Baixinhos, paula meio sem graça disse: “Eu não sou a Xuxa, mas espero que todos gostem do meu filme pois ele representa muito de nós todos”.

Perfil do diretor:
Paula Hernández, é Argentina, formada em cinema, teatro e arte. Trabalha na industria cinematográfica desde 1989. dirigiu mais de 100 comercias publicitários além de longa metragens e documentários. Entre seus filmes de destaque estão os longas “Herencia” e “Família Lugones”.


Festival de Gramado - Corumbiara

Por: João Daniel Donadeli

Corumbiara é um documentário que visa mostrar o processo de mais de vinte anos de luta do indigenista Marcelo Santos para manter vivos os índios sobreviventes de massacres cometidos a mando de latifundiários na Gleba Corumbiara.
O filme tem inicio no ano de 1986 mostrando a busca dos indigenistas para encontrar vestígios de moradias indígenas dentro de fazendas latifundiárias. Os vestígios são encontrados, mas por falta de apoio e sob a ameaça dos latifúndios as investigações findam.
Uma década depois já com o apoio do ministério publico, acabam por encontrar um casal de índios de uma etnia desconhecida. Esse primeiro contato com os índios é um ponto forte do filme por sua tensão gerada pela dificuldade de comunicação e pela experiência de encontrar vidas humanas em plena selva.
O vídeo é exibido por um programa de jornalismo e ganha repercussão nacional, mesmo com provas contundentes da existência desses índios em terras demarcadas o caso é encoberto pelo advogado dos latifundiários e acaba passando por uma farsa.
Com o intuito de buscar provas da existência de índios que presenciaram o massacre ocorrido na gleba Corumbiara os indigenistas pedem auxilio para o casal de índios encontrados para buscar outros índios escondidos na selva e um novo grupo de índios de uma nova etnia é encontrado e mais uma vez cria-se uma atmosfera de tensão e descoberta, porém agora uma tensão gerada não só pelo contato dos indigenistas, mas também pelo encontro de duas etnias distintas em que uma é superior a outra.
Aos poucos as atrocidades e irregularidades cometidas pelas fazendas latifundiárias vão sendo desveladas e a sensação de impunidade e desrespeito com a vida geram um grande desconforto no espectador que se vê impotente diante daquelas denuncias e atrocidades.
Construído com imagens e depoimentos captados ao longo desses mais de vinte anos de pesquisa e luta, o filme revela a versão dos índios desse massacre ocorrido em Corumbiara que impunemente passa despercebido.
Ficha técnica:
Corumbiara, Olinda- PE 2009 – 117 min HD documentário
Direção: Vincent carelli

Perfil do Diretor

Vincent carelli é indigenista a 40 anos, iniciou o vídeo nas aldeias em 1987, um projeto que visa dar voz aos projetos políticos e culturais dos idios.
Com esse projeto Vincent produziu uma serie de documentários sobre os resultados deste trabalho. Atualmente coordena a ONG vídeo nas aldeias em Olinda com o intuito de formar novos realizadores indígenas.

Festival de Gramado - Nochebuena


Por:João Daniel Donadeli


Nochebuena é uma comédia irreverente de humor negro que não se deixa levar por gratuidades, revelando a falência das falsas aparências de uma família aristocrática, a partir da metáfora dos encanamentos dos esgotos que correm por debaixo da terra sem que ninguém saiba o que neles ocorre.

Acontece que quanto os encanamentos entopem a sujeira vem a tona. Em plena noite de natal como a diz o próprio titulo, uma farsa familiar é revelada desmascarando toda a ostentação de um família da aristocracia rural de Bogotá.

O filho caçula Bernardo um malandro e investidor da bolsa de valores vive dando seus golpes inclusive na empregada da casa, mantém um relacionamento as escondidas com sua cunhada Esmeralda e fugindo do pai da moça um poderoso político local com o qual matem negócios obscuros.

Seu irmão é um falido funcionário público que vive de bebedeiras e traz duas amigas do trabalho para festejar a noite de natal, a matriarca da família luta para ostentar a sua posição aristocrática e, no entanto está mais falida do que os próprios filhos, esperando que um casamento arranjado com uma vizinha e rica fazendeira com seu filho caçula, solucione seus problemas econômicos.

Em pouco tempo os encanamentos da mansão colonial começam a apresentar problemas e metaforicamente sugerir que também alguma sujeira virá a tona e não demora para que isso aconteça, pois antes de anoitecer o governador Uldarico aparece sem ser convidado para passar a noite de natal e reivindicar o que é seu, causando o desmoronamento das aparências e trazendo a tona toda farsa familiar.

Com esse conjunto de estereótipos reunidos, a vizinha rica e religiosa, a mãe falida e cheia de aparências, o filho malandro, a nora adultera, e mais alguns personagens que compõem a trama essa comédia tem seu ponto forte no roteiro que sugere essa metáfora de que os esgotos estão sempre no subterrâneo, mas uma hora a sujeira aparece revelando toda a hipocrisia de uma classe social que vive em um mundinho fechado de costas para a realidade.

Ficha técnica:
Nochebuena – Colômbia, 2008 – 84 min HD- ficção
Direção: Maria Camila Loboguerrero
Roteiro: Maria Camila Loboguerrero, Matias maldonado

Palavras do diretor antes da estreia:

A diretora cita Glauber Rocha com “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e diz que o cineasta latino-americano tem que apontar suas lentes para o próprio continente e ainda sobre o filme diz que é apenas uma “Farsa Colombiana”que acontece nas melhores famílias.

Perfil do diretor:
Maria Camila Loboguerrero é mestre em belas artes pela universidade dos Andes, Bogotá, licenciada em historia da arte pela universidade de Sorbone e especialista em cinema antropológico e documentário também pela Sorbone. Em 1970 obteve ainda outra licenciatura em cinematografia pela universidade de Vincennes. Como diretora de cinema, se destacam seus longas “Maria Cano” e “Com su música a outra parte”, além de sete curtas e quatro documentários.

festival de Gramado - Cildo


Por:João Daniel Donadeli

Memória é o melhor lugar para uma obra de arte, memória é aquilo que a gente perde sempre que precisa dela. (Cildo Meireles)

Cildo meireles é o artista plástico brasileiro de maior destaque internacional com obras expostas nas principais galerias de arte e espaços culturais do Brasil e do mundo.
Por esse motivo já seria interessante um documentário sobre sua obra, mas além de tudo Cildo também é uma figura divertida e cativante.

Tendo a intenção de retratar a obra de Cildo por suas próprias palavras e criações o diretor paulista Gustavo Rosa, mergulha no universo inconsciente do artista e traz para a tela do cinema a tradução audiovisual d e suas obras.
Fazendo uso de imagens de um antigo filme dirigido por Wilson Coltinho em 1979 chamado “Cildo Meireles” também sobre as obras do artista, Gustavo faz um comparativo das mudanças de suas obras de ontem e de hoje.

Para ilustrar as falas do artista, mas sem cair na obviedade, o documentário mostra imagens do homem na lua para demonstrar a ideia principal do artista que é estar entre o filme e a platéia, entre a terra e a lua como esteve Michael Colins rondando em volta da lua enquanto seus companheiros pisavam em solo lunar.

As instalações do artista são mostradas com ruídos e sons disformes e desconexos, mas que muitas vezes sugerem uma possível experiência com a obra, como se o espectador estivesse vivenciando e interagindo com a instalação criando esse vinculo de participação do individuo com a obra do artista, o mesmo que espectador ativo.

Com extrema clareza e reverência Cildo em seus depoimentos percorre temas filosóficos e complexos discorrendo sobre arte conceitual, perecibilidade e descartabilidade, porém com uma simplicidade oral que mostra a intenção democrática do artista de atingir não somente a elite intelectual, mas a todos.

Ficha técnica:
Cildo- Rio de Janeiro, 2008-78min HD –Documentário
Diretor: Gustavo Rosa

Perfil do diretor:

Gustavo Rosa de Moura, Nasceu em são Paulo no anode 1975, formou-se em arquitetura na USP e mudou para o Rio de Janeiro. Realizou projetos de museografia e instalações multimídia. Em 2003 passou a atuar como freelancer realizando projetos de cenografia e multimídia. Iniciou a carreira de documentarista trabalhando independente, e no ano de 2008 uniu-se a Carlito Carvalhosa e Mari stockler para montar o Estúdio Duas Águas.