"Denunciei a fome como flagelo fabricado pelos homens, contra outros homens".( Josué de Castro)
Ao escrever, em 1946, o renomado livro “Geografia da Fome”Josué de Castro, afirmava que a fome não era um problema natural, isto é, não dependia nem era resultado dos fatos da natureza, ao contrário, era fruto da ação humana, ou melhor da falta da ação humana para com seus semelhantes, a centralização do capital na mão de poucos e a fome na boca de muitos.
Os tempos são outros, mas a má distribuição de renda e o descaso ainda são o mesmo. Em pleno século XXI as pessoas ainda morrem de fome e não há uma perspectiva de melhora.
O premiado diretor brasileiro José Padilha, ( Tropa de elite) de volta ao documentário com seu novo filme ”Garapa” teve a intenção de mostrar a fome em seu estado natural, retratando o cotidiano de três famílias do nordeste brasileiro, que sofrem com a fome e a desnutrição por uma alimentação pobre em nutrientes, como a garapa (neste caso, água com açúcar) oferecida as crianças para saciar a fome congênita.
As imagens que se vê em Garapa são extremamente desconcertantes, que causam um estranhamento no espectador, por algum momento pode parecer que sejam sensacionalistas ao extremo, e, no entanto uma reflexão pode nos trazer um entendimento mais profundo sobre a intencionalidade de cada cena. A fotografia em preto e branco causa um distanciamento, como se aquela realidade fosse algo passado, distante dessa realidade presente.
O recorte proposto entre as três famílias nordestinas não particularizam ou regionalizam o filme, pois a fome está em todos os lugares inclusive nas grandes capitais. Fazendo uso do cinema direto com poucas interferências visíveis, Padilha busca trazer o dia a dia dessas famílias, com seus conflitos e reflexos da miséria, personagens marcantes que acentuam a intencionalidade de colocar o espectador dentro do filme vivenciando cada situação.
Um “filme feio e muito triste”, um grito desesperado por socorro, que choca o espectador que se vê impotente, engessado diante da poltrona enquanto imagens da violência da fome se projetam na tela do cinema. Imagens em preto e branco para serem suportadas, um realismo critico até um tanto exacerbado, mas com base no artigo “a estética da fome” de Glauber Rocha, podemos discernir melhor, “...Nossa maior miséria é que esta fome, sendo sentida, não é compreendida.”
Garapa é um filme verdade, é um soco na boca do estomago do comodismo e uma resposta ao falso assistencialismo, é um olhar aos extremos que fazem parte do todo, é um filme que faz o público pensar e refletir a cada grão de pipoca consumido na sala escura, um filme manifesto, uma critica a sociedade consumista e fútil que nunca a sentiu fome, um filme que leva um tempo para ser processado, mas que todos deveriam ver, refletir, indagar e debater.
Garapa, documentário, Brasil-RJ 110mim, P&B, 35mm, 2008 Direção: José Padilha. Roteiro: Felipe Lacerda e José Padilha
A partir da próxima segunda-feira, 6 de abril, até o dia 21 de maio, estarão abertas as inscrições para o Concurso de Seleção de Projetos de Documentário do I Programa de Fomento à Produção e Teledifusão de Documentário dos Países de Língua Portuguesa - DOCTV CPLP. Mais informações e inscrições no site do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), de Portugal
O festival internacional de documentaários "É tudo verdade" chega a sua 14º edição e traz o premiado diretor israelita Avi Mograbi, com seu "Z32". Para a sessão de abertura, foi apresentado o esperado filme "Cartaz ao presidente" do diretor grego Petr Lom, filme que mostra uma das artimanhas populistas do atual presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, como as cartas que lhe são enviadas pelos populares que acreditam que são lidas e respondidas pelo próprio presidente.(ver trailler)
Outro filme aguardado é "Garapa" do Diretor ganhador do urso de ouro em 2008, José Padilha, Além do novo filme de Eduardo Coltinho, "Moscou".
Segundo o idealizador do festival Amir Labaki, “Será uma competição equilibradíssima”, “É um privilégio para qualquer festival no Brasil exibir em sua mostra principal as novas obras de tantos cineastas renomados e de notáveis.
Confira a programação:
São Paulo Cinesesc Rua Augusta, 2075 - Telefone: 3087-0500 - 326 lugares
17h00 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
19h00 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
21h00 Moscou / Moscow / Eduardo Coutinho / 80min
01/04 quarta-feira
15h00 Moscou / Moscow / Eduardo Coutinho / 80min
17h00 Domingos / Maria Ribeiro / 72min
19h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
21h00 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
02/04 quinta-feira
15h00 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
17h00 Moscou / Moscow / Eduardo Coutinho / 80min
19h00 Samba de Quadra / Samba From Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
21h00 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
03/04 sexta-feira
15h00 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
17h00 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
19h00 Z32 / Avi Mograbi / 82min
21h00 Garapa / José Padilha / 110min
04/04 sábado
15h00 Garapa / José Padilha / 110min
17h00 René / Helena Trestikova / 83min
20h30 Premiação
05/04 domingo
15h00 Domingos / Maria Ribeiro / 72min
17h00 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
19h00 René / Helena Trestikova / 83min
21h00 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
06/04 segunda-feira
19h00 Reprise
21h00 Reprise
07/04 terça-feira
19h00 Reprise
21h00 Reprise
Centro Cultural do Banco do Brasil Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - Telefone: (11) 3113-3651 / 3113-3652 - 110 lugares
15h00 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
17h00 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
19h00 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
03/04 sexta-feira
13h00 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
15h00 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
17h00 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
19h00 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
04/04 sábado
13h00 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
15h00 Samba de Quadra / Samba from Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
17h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
19h00 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
15h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
17h00 Samba de Quadra / Samba from Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
19h00 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
Cinemark Eldorado Av. Rebouças, 3.970 - Shopping Center Eldorado - Lj.410 - Telefone: 2197-7472 - 265 lugares
14h00 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
16h00 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
18h00 Z32 / Avi Mograbi / 82min
20h00 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
22h00 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
28/03 sábado
14h00 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
16h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
18h00 Domingos / Maria Ribeiro / 72min
20h00 Garapa / José Padilha / 110min
22h00 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
29/03 domingo
14h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
16h00 Samba de Quadra / Samba From Samba / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
18h00 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
16h00 No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min
18h00 Samba de Quadra / Samba From Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
20h00 Corumbiara / They Shoot Indians, Don't They? / Vincent Carelli / 117min
22h00 Perturbados / Mental / Kazuhiro Soda / 135min
31/03 terça-feira
14h00 Corumbiara / They Shoot Indians, Don't They? / Vincent Carelli / 117min
16h00 Samba de Quadra / Samba From Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min A Arquitetura do Corpo / Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Nello's / André Ristum / 25min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
18h00 Celeste / Aloysio Raulino / 6min Cartas ao Presidente / Letters to the President / Petr Lom / 74min
27/03 sexta-feira 12h30 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
14h30 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
16h30 René / Helena Trestikova / 83min
18h30 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
20h30 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
28/03 sábado
14h30 René / Helena Trestikova / 83min
18h30 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
20h30 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
29/03 domingo
14h30 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min
16h30 Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min
18h30 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
18h30 VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado / Burma VJ - Reporting from a Closed Country / Anders Høgsbro Østergaard / 85min 20h30 Am I Black Enough For You - A História de Billy Paul / Am I black Enough for You / Göran Olsson / 85min
30/03 segunda-feira 19h30 Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei / Simonal - You Don’t Know How Tough It Was / Claudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal / 84min
31/03 terça-feira
19h30 Só 10% É Mentira / Only Ten Percent is a Lie / Pedro Cezar / 75m
01/04 quarta-feira
19h30 Paulo Gracindo - O Bem-Amado / Paulo Gracindo - The Well Beloved / Gracindo Junior / 84min
02/04 quinta-feira
19h30 O Equilibrista / Man on Wire / James Marsh / 90min
Oi Futuro Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo - Telefone: (21) 3131-3060 - (84 lugares)
14/04 terça-feira 14h30 Problema é Comigo / Trouble Is My Business / Juliette Veber / 82min
16h30 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min Segunda Vida / Second Me / Anna Thommen / 19min
18h30 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
20h30 Cartas ao Presidente / Letters to the President / Petr Lom / 74min
15/04 quarta-feira
14h30 Z32 / Avi Mograbi / 82min
16h30 Chirola / The Chirola / Diego Mondaca / 25min Zietek / Bartosz Blaschke / 17min Arrancando a Alma / Severing the Soul / Barbara Klutinis / 18min
20h30 Problema é Comigo / Trouble Is My Business / Juliette Veber / 82min
16/04 quinta-feira
14h30 Cartas ao Presidente / Letters to the President / Petr Lom / 74min
16h30 Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min
18h30 Além do Jogo / Beyond The Game / Jos de Putter/ 79 min
20h30 Retorno a Fortin Olmos / Return to Fortin Olmos / Patricio Coll, Jorge Goldenberg / 104min
17/04 sexta-feira
14h30 O Segredo / The Secret / Edgar Feldman / 25min Escravos / Slaves / Hanna Heilborn, David Aronowitsch / 15min Segunda Vida / Second Me /Anna Thommen / 19min
14h30 Areias Vermelhas / Red Sands / David Procter / 25min Coração Negro / Black Heart / Ada Bligaard Søby / 23min Bem Longe de Casa / Home Away from Home / Marika Väisänen / 15min
16h30 VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado / Reporting from a Closed Country / Anders Høgsbro Østergaard / 85min
18h30 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
20h30 O Esquecimento / Oblivion / Heddy Honigmann / 94min
21/04 terça-feira
14h30 VJs de Mianmar - Notícias de um País Fechado / Reporting from a Closed Country / Anders Høgsbro Østergaard / 85min
16h30 Esquecido Papai / Forgetting Dad / Rick Minnich, Matt Sweetwood / 84min
20h30 Corumbiara / They Shoot Indians, Don't They? / Vincent Carelli / 117min
23/04 quinta-feira
14h30 Ôri / Raquel Gerber / 91
16h30 Nello's / André Ristum / 25min No Tempo de Miltinho / The Singer's Time / André Weller / 18min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min
14h30 Ser Tão / Luiz Guilherme Guerreiro / 20min Chapa / Tatiana Toffoli / 18min Samba de Quadra / Sambra From Quadra / Gustavo Mello, Luiz Ferraz / 16min
16h30 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
18h30 Corumbiara / They Shoot Indians, Don't They? / Vincent Carelli / 117min
20h30 A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Leituras Cariocas / Rio Readings / Consuelo Lins / 13min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min Sessão seguida de debate com diretores
25/04 sábado
14h30 Nello's / André Ristum / 25min No Tempo de Miltinho / Singer's Time / André Weller / 18min Confessionário / Confessional / Leonardo Sette / 15min
16h30 Ôri / Raquel Gerber / 91min
18h30 A Chave da Casa / Home Key / Paschoal Samora, Stela Grisotti / 60min
20h30 Cildo / Gustavo Rosa de Moura / 84min
26/04 domingo
14h30 A Arquitetura do Corpo / The Body's Architecture / Marcos Pimentel / 21min Leituras Cariocas / Rio Reading / Consuelo Lins / 13min A Casa dos Mortos / The House of the Dead / Debora Diniz / 24min
16h30 O Cineasta da Selva / Filmmaker of the Amazon / Aurélio Michiles / 87min
“Arte é a mais sofisticada produção cultural de uma civilização. Cinema é a mais desenvolvida de todas as Artes”( Glauber Rocha)
Por comemoração a data em que Glauber Rocha faria setenta anos nos propusemos a comentar nas linhas que seguem um pouco da história do artista revolucionário que ao longo de sua vida destinou grande parte do seu tempo a analisar e interpretar as contradições da vida Latino Americana, palco onde desenvolveu um espírito libertário e revolucionário. A partir da arte pode expor seu pensamento e indignação com os sistemas vigentes, sendo muitas vezes perseguido e incompreendido por seus ideais. Figura polêmica e contraditória Glauber Rocha marcou sua época e deixou seguidores, seu cinema provocou a revisão da cultura brasileira idealizando uma arte independente e libertária destituída de influências externas, potencializando a própria cultura brasileira, a cultura sertanista, cultura barroca, a voz do povo, a imagem do povo, a verdade libertária ao invés da mentira alienante. Glauber fez de sua vida uma história de altos e baixos, mas uma vida vivida intensamente.
Sob o sol abençoado da Bahia aos 14 de março de 1939, Glauber de Andrade Rocha, vem ao mundo na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Filho de Dona Lúcia Mendes de Andrade Rocha e Adamastor Bráulio da Silva Rocha. Alfabetizado pela mãe, aos treze anos já era crítico de cinema do programa “Cinema em Clouse-Up” na rádio da sociedade da Bahia. Depois de deixar a faculdade de direito inicia sua carreira jornalística, primeiro como repórter policial no Jornal da Bahia, e posteriormente passa a escrever artigos de cinema para o Suplemento dominical do jornal do Brasil.
Em 1957, com poucos recursos, filma O Pátio(1959), utilizando sobras de material de Redenção(1959), de Roberto Pires. O filme foi muito bem recebido por Paulo Emilio em sua primeira apresentação pública, ainda sem som, na Cinemateca em São Paulo.
Um ano depois de finalizar seu primeiro longa metragem, Barravento (1962), em pleno sertão baiano, aos 24 anos de idade, Glauber inicia as filmagens do “poderoso” Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), o filme mais aclamado do intelectual revolucionário, o filme mais glauberiano, o filme que manifesta toda a sua vivência e sua bagagem antropológica cultural carregada de dualidades, miticismo e religião, tragédia e vida, fome e vontade de comer, miséria e revolução. Neste filme Glauber articula a relação entre mito, religião e revolução, um movimento para uma desidealização do povo, (idealização aqui entendida como vontade das elites) e ao mesmo tempo para a construção de uma mitologia popular poderosa, capaz de fazer frente a um imaginário colonizado. Distante do naturalismo, Buscando as suas demandas ideológicas, e seu nacionalismo cultural, Glauber rocha, fez grande uso da metáfora, praticando um cinema de autor, inovando a cinematografia brasileira e terceiromundista. Com esse filme, Glauber ganha visibilidade nacional e internacional além de elevar o nome do Cinema Novo.
O Cinema Novo foi um movimento intelectual cinematográfico e revolucionário que visava a descolonização da cinematografia brasileira e tinha como princípios expor a realidade latino-americana terceiromundista. Glauber Rocha mais do que qualquer um, encarou esse desafio de diagnosticar o Brasil, enfrentado os problemas “filmo - estéticos” que um discurso totalizante implicava.
Tendo o cenário político e brutal das ditaduras militares que infestaram a América Latina, Glauber escreveu e filmou Terra em Transe(1967), um filme de observação pessoal, ligado a própria realidade, sem apoio na tradição cultural brasileira, sintetizando o pensamento latino americano sufocado pelas ditaduras,” Terra em Transe é um filme sobre o que existe de grotesco, horroroso e podre na América Latina.” dizia Glauber.
O filme foi barrado e proibido pela censura federal sob a acusação de ser um filme subversivo e difamador da igreja católica, em Cannes(1967) o filme é indicado a Palma de Ouro e ganha os Prêmios Luis Buñuel, conferido pela crítica espanhola, e o da FIPRESCI - Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, além de muitos outros prêmios por onde passou.
Em meio a muitas interrupções nas filmagens em 1968 finaliza O dragão da maldade contar o santo guerreiro, finalizando também a trilogia de Antônio das Mortes, personagem que surge em Deus e o diabo. Com o Dragão da maldade, Glauber ganha o premio de melhor diretor em Cannes 1968.
Antes de partir para o exílio Glauber a convite de um produtor europeu filma Cabezas Cortadas(1970) na Espanha, uma fusão de um delírio déspota peronista na terra do General Franco, Um ditador aprisionado em seu próprio castelo, que é sua clausura mental. Na áfrica Filma O Leão de 7 Cabeças neste trabalho o cineasta baiano demonstrou magistralmente uma tremenda sensibilidade no tratamento dos aspectos mais belos da iconografia iorubana.
Com o aumento da repressão militar, Glauber desiste de seus projetos no Brasil e parte para um exílio do qual nunca mais retornaria totalmente. Perambulou pelo mundo, filmou em Roma, Claro 1975, filme que recebeu péssimas críticas na Europa, e pouco foi visto no Brasil. Voltou ao Brasil filmou o polemico e proibido documentário Di (1976) filmado no enterro do pintor. Mais tarde sob forte pressão da Igreja Católica, filma A Idade da Terra (1980) seu último e incompreendido filme. A idade da terra mostra a um cristo humanizado em analogia aos quatro cavaleiros do apocalipse, um filme experimental que rompia totalmente com o modelo vigente, sua riqueza simbólica e metafórica codifica a ideologia revolucionária latino-americana condicionada pela imposição e pela dominação de uma colonização cultural.
Em 1981 Glauber vai viver em Portugal na cidade de Sintra, onde se isola com a família recebendo apenas amigos mais íntimos, com a saúde abalada há alguns meses, Glauber tem como diagnóstico uma pericardite viral. Em 6 de agosto seu estado se agrava e é internado num hospital próximo a Lisboa por complicações bronco-pulmonares. Em estado de extrema gravidade é trazido de volta ao Brasil na noite do dia 20, sem acompanhamento médico ou soro. Chega ao Rio de Janeiro no dia 21 e recebe soro ainda na enfermaria do Aeroporto do Galeão, é levado para a Clínica Bambina, em Botafogo. Morre às 4 horas da manhã do dia 22 de agosto de 1981. Glauber é velado no Parque Lage, cenário de Terra em Transe, em meio a grande emoção e exaltação como pode ser visto no filme Glauber labirinto do Brasil(2003) de Silvio Tendler.
Glauber viveu num tempo em que existia o sonho de revolução, em que o sonho era o sonho de grandeza e esperança, Glauber acreditou que a revolução viria da união da arte com a política, da realidade com a utopia, em outro tempo Glauber não viveria, intelectual engajado com a política e com a arte, propunha mudanças para o Brasil e para o mundo, homem que buscava amenizar a exploração de um povo, que era o seu povo, homem que se contradizia e justificava suas contradições, falava sobre a dialética das coisas, e percebia o movimento, mas também era causador de movimentos, teve um sonho e foi protagonista desse sonho.“Não Justifico nem explico meu sonho porque ele nasce de uma intimidade cada vez maior com o tema de meus filmes, sentido natural de minha vida”.( Glauber Rocha)
Documentarista, editor, motion designer, roteirista, crítico de cinema, pai, marido e feliz... Graduado em filosofia e pós graduando em comunicação e semiótica.