segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Festival de Gramado - Nochebuena


Por:João Daniel Donadeli


Nochebuena é uma comédia irreverente de humor negro que não se deixa levar por gratuidades, revelando a falência das falsas aparências de uma família aristocrática, a partir da metáfora dos encanamentos dos esgotos que correm por debaixo da terra sem que ninguém saiba o que neles ocorre.

Acontece que quanto os encanamentos entopem a sujeira vem a tona. Em plena noite de natal como a diz o próprio titulo, uma farsa familiar é revelada desmascarando toda a ostentação de um família da aristocracia rural de Bogotá.

O filho caçula Bernardo um malandro e investidor da bolsa de valores vive dando seus golpes inclusive na empregada da casa, mantém um relacionamento as escondidas com sua cunhada Esmeralda e fugindo do pai da moça um poderoso político local com o qual matem negócios obscuros.

Seu irmão é um falido funcionário público que vive de bebedeiras e traz duas amigas do trabalho para festejar a noite de natal, a matriarca da família luta para ostentar a sua posição aristocrática e, no entanto está mais falida do que os próprios filhos, esperando que um casamento arranjado com uma vizinha e rica fazendeira com seu filho caçula, solucione seus problemas econômicos.

Em pouco tempo os encanamentos da mansão colonial começam a apresentar problemas e metaforicamente sugerir que também alguma sujeira virá a tona e não demora para que isso aconteça, pois antes de anoitecer o governador Uldarico aparece sem ser convidado para passar a noite de natal e reivindicar o que é seu, causando o desmoronamento das aparências e trazendo a tona toda farsa familiar.

Com esse conjunto de estereótipos reunidos, a vizinha rica e religiosa, a mãe falida e cheia de aparências, o filho malandro, a nora adultera, e mais alguns personagens que compõem a trama essa comédia tem seu ponto forte no roteiro que sugere essa metáfora de que os esgotos estão sempre no subterrâneo, mas uma hora a sujeira aparece revelando toda a hipocrisia de uma classe social que vive em um mundinho fechado de costas para a realidade.

Ficha técnica:
Nochebuena – Colômbia, 2008 – 84 min HD- ficção
Direção: Maria Camila Loboguerrero
Roteiro: Maria Camila Loboguerrero, Matias maldonado

Palavras do diretor antes da estreia:

A diretora cita Glauber Rocha com “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e diz que o cineasta latino-americano tem que apontar suas lentes para o próprio continente e ainda sobre o filme diz que é apenas uma “Farsa Colombiana”que acontece nas melhores famílias.

Perfil do diretor:
Maria Camila Loboguerrero é mestre em belas artes pela universidade dos Andes, Bogotá, licenciada em historia da arte pela universidade de Sorbone e especialista em cinema antropológico e documentário também pela Sorbone. Em 1970 obteve ainda outra licenciatura em cinematografia pela universidade de Vincennes. Como diretora de cinema, se destacam seus longas “Maria Cano” e “Com su música a outra parte”, além de sete curtas e quatro documentários.

festival de Gramado - Cildo


Por:João Daniel Donadeli

Memória é o melhor lugar para uma obra de arte, memória é aquilo que a gente perde sempre que precisa dela. (Cildo Meireles)

Cildo meireles é o artista plástico brasileiro de maior destaque internacional com obras expostas nas principais galerias de arte e espaços culturais do Brasil e do mundo.
Por esse motivo já seria interessante um documentário sobre sua obra, mas além de tudo Cildo também é uma figura divertida e cativante.

Tendo a intenção de retratar a obra de Cildo por suas próprias palavras e criações o diretor paulista Gustavo Rosa, mergulha no universo inconsciente do artista e traz para a tela do cinema a tradução audiovisual d e suas obras.
Fazendo uso de imagens de um antigo filme dirigido por Wilson Coltinho em 1979 chamado “Cildo Meireles” também sobre as obras do artista, Gustavo faz um comparativo das mudanças de suas obras de ontem e de hoje.

Para ilustrar as falas do artista, mas sem cair na obviedade, o documentário mostra imagens do homem na lua para demonstrar a ideia principal do artista que é estar entre o filme e a platéia, entre a terra e a lua como esteve Michael Colins rondando em volta da lua enquanto seus companheiros pisavam em solo lunar.

As instalações do artista são mostradas com ruídos e sons disformes e desconexos, mas que muitas vezes sugerem uma possível experiência com a obra, como se o espectador estivesse vivenciando e interagindo com a instalação criando esse vinculo de participação do individuo com a obra do artista, o mesmo que espectador ativo.

Com extrema clareza e reverência Cildo em seus depoimentos percorre temas filosóficos e complexos discorrendo sobre arte conceitual, perecibilidade e descartabilidade, porém com uma simplicidade oral que mostra a intenção democrática do artista de atingir não somente a elite intelectual, mas a todos.

Ficha técnica:
Cildo- Rio de Janeiro, 2008-78min HD –Documentário
Diretor: Gustavo Rosa

Perfil do diretor:

Gustavo Rosa de Moura, Nasceu em são Paulo no anode 1975, formou-se em arquitetura na USP e mudou para o Rio de Janeiro. Realizou projetos de museografia e instalações multimídia. Em 2003 passou a atuar como freelancer realizando projetos de cenografia e multimídia. Iniciou a carreira de documentarista trabalhando independente, e no ano de 2008 uniu-se a Carlito Carvalhosa e Mari stockler para montar o Estúdio Duas Águas.

Festival de Gramado - La Teta Asustada


Por: João Daniel Donadeli

Uma campanha terrorista imposta pelo governo peruano na zona rural ao longo dos anos oitenta para conter grupos de oposição ao governo, rechaçou os insurgentes e conseguiu suprimi-los em grande parte antes do fim dos anos noventa, mas essa luta foi ofuscada por atrocidades cometidas pela força de segurança peruana aos povoados indigenas nos Barrios Contraltos e La Cantuta onde mulheres foram estupradas, casas saqueadas e homens mortos em frente a suas famílias.

Esses exemplos chegaram a ser vistos como símbolos das violações de direitos humanos.
La teta assustada é uma “doença” de crença indígena que diz que a criança que nasce fruto de um estupro é contaminada pela mãe com seu leite e a criança está sujeita a viver sem alma e é a partir desse mito popular indígena que Claudia Llosa constrói a sua metáfora para subverter a ideologia de um povo reprimido que só pode se expressar através de seus mitos medos e traumas.

O filme narra a saga de uma garota portadora da “doença” que luta para enterrar a mãe em seu povoado, mas é impedida por forças contrarias.
Fausta ( Magaly Solider, de “Madeinusa”) é uma garota recatada e amedrontada que vive em uma favela da periferia de Lima, fruto de uma dessas atrocidades, teve a mãe estuprada e o pai morto pela campanha terrorista e agora após a morte da mãe, busca uma maneira de leva - lá de volta ao povoado onde nasceu para ser enterrada.

Para isso Fausta arranja um novo trabalho na casa de uma pianista famosa além de trabalhar com o tio em cerimoniais de casamentos enquanto sua mãe se deteriora enrolada em tecidos após um ritual para conservação do corpo.
Uma tradição indígena andina diz que para romper nossos medos devemos cantar e é assim que Fausta resolve seus medos cantando e um dia uma dessas canções de lamento encanta a patroa e um pacto é feito entre as duas, porém por orgulho a patroa rompe o pacto e deixa a garota na mão.

Envoltos em cerimoniais de casamentos e com o casamento da prima nos próximos dias a mãe que já está a dias morta, precisa ser enterrada, mas a cova feita no fundo do quintal já se transformou em piscina para as crianças.

Um impasse não deixa que as coisas aconteçam, é como querer gritar e ser calado pela própria voz, é essa metáfora de se viver em uma país amedrontado e traumatizado sem ter voz para falar e ser ouvido, é um corpo feminino que expressa esse vazio que precisa ser preenchido, é uma angustia que precisa ser acalmada é o pavor de encontrar com algo diferente e perder o controle.

Premiado com o Urso de ouro em Berlim (2009) La Teta asustada é um filme simples com uma estética extremamente realística com belíssimas atuações e com um tema que reflete não só a vida em um pais reprimido, mas a história de maus tratos e resistência da América - latina.

Ficha técnica:
LaTeta Asustada- Peru-espanha, 2009-95min
Diretor: Claudia Llosa
Roteiro: Claudia Llosa
Elenco: Magaly Solider

Perfil do diretor:

Claudia Llosa, peruana, 32 anos cineasta dirigiu “Madeinusa”(2006) que recebeu o prêmio de melhor filme pela Federação internacional de Crítica Cinematográfica, prêmio que novamente recebe com “La Teta Assustada” além do urso de Ouro no Festival de Berlim. Forte candidata para levar o kikito de Ouro em Gramado.

Festival de Gramado - Canção de Baal


Por: João Daniel Donadeli
Canção de Baal é um musical baseado e inspirado na obra de Bertoldo Brecht que retrata a vida de um músico e compositor excêntrico um tanto hippie em busca de seu tempo.
Vanguardista e experimental o filme quebra todos os protocolos do cinema tradicional com uma câmera frenética em alguns momentos e com uma belíssima fotografia que revela plasticamente o céu brasileiro.

O filme nasce da vontade da diretora Helena Ignes de Homenagear e mostrar esse autor e artista que foi Brecht e o qual acompanhou toda a trajetória.

Despudorado, poético e lúdico, o músico busca romper com toda a hipocrisia machista, exacerbada e pré-concebida, causando um encanto em todas as mulheres.

Após ser convidado para um evento social na casa de um madeireiro predador, o músico recusa uma proposta de ascensão social respondendo com deboches e escandalizando os convidados da sociedade local, optando por uma vida fora das colunas sociais.

Einstein figura pop clássica e também autor da teoria da relatividade compõem essa trama, observando de perto os personagens e discursando sobre sua teoria da relatividade.

Canções e letras nos levam ao entendimento das cenas propostas e propõem possibilidades de nos manifestarmos contra todo esse “depressionismo” contemporâneo.
Ainda nessa fabula Musical e antropofágica, podemos contemplar a voz de brecht e a entrevista de Einstein no Brasil quando foi comprovada a teoria da relatividade.

Ficha técnica:
Canção de Baal – São Paulo, 2008- 77min HD – Ficção
Diretor: Helena Ignes
Roteiro:helena Ignes
Elenco: Carlos Careqa, simone Spoladore

Palavras da diretora antes da estréia:
Canção de Baal é um filme que tem me dado muito orgulho, fiquei surpreendida quando na primeira exibição veio um rapaz me dizer : Helena Ignes, então quer pode não é. Achei isso sensacional por que as pessoas estavam percebendo o quanto elas podem se manifestar.

Perfil do diretor:
Helena Ignes, é figura de destaque na cultura Brasileira. Conhecida como a musa do Cinema Novo, integrou inúmeros movimentos de vanguarda.
Com 40 anos de produção e atuação no cinema brasileiro foi homenageada em 2006 pelo 20º Festival de films de Fribourg, Suíça, onde foram exibidos 25 filmes em que atuou, produziu e dirigiu. Atualmente finaliza o longa-metragem “Luz nas trevas – a revolta de luz vermelha” que divide a direção com Icaro Martins com roteiro de Rogério Sganzela que dirigiu “O bandido da luz Vermelha” na década de sessenta.

Festival de Gramado - La proxima estacion


Por: João Daniel Donadeli

Parecíamos soldados derrotados entregando nossas armas.( ex funcionario sobre o fim de uma das ferrovias)
O caos do transporte ferroviário argentino após as privatizações das empresas estatais é a justificativa para esse documentário político de denuncia social.
Fernando Solanas com todo o seu ardor ferrenho, desfere sobre a política publica dos transportes sua ousadia em entrevista de confronto para demonstrar como os políticos são responsáveis por esse colapso que houve nos transportes ferroviários.
Partindo de imagens de arquivo com antigos depoimentos que conferem ao filme uma verdade inquestionável demonstra como eram as inúmeras estradas de ferro que cortavam o país para o que é hoje após as privatizações, apenas vinte por cento das ferrovias ainda funcionam.
Usando do artifício clássico do cinema documental com entrevistas e locução of o documentário adentra ao universo dos ferroviários e desvela segredos guardados por antigos governos para beneficiar interesses estrangeiros de multinacionais.
Com a proposta de reconhecer o que são os bens públicos e qual o direito que o povo tem sobre eles, questiona lideres políticos que seriam os responsáveis por defender os interesses públicos, mas que se mostram desentendidos sobre os casos de saques de materiais que viraram sucatas em depósitos abandonados, levando a platéia a se exaltar pela indignação causada.
Pequenos vilarejos que tinham suas únicas fontes de renda nas ferrovias agora se mostram cidades fantasmas, famílias foram separadas pelas desativações e aqueles que ficam, lutam para manter os espaços das antigas estações funcionando para outros fins, como oficinas culturais, mas a maioria migrou para as grandes cidades contribuindo para o caos urbano.
Dessa forma o filme constrói uma recente problemática que reflete o país, sendo o quarto filme de uma série de cinco que partem da crise Argentina ( 2001- 2002) abordando temas da sociedade contemporânea como: democracia, corrupção, privatizações, pobreza e crise energética.
Ficha técnica:
La proxima estacion - Argentina 2008, 107 min - Documentário
Direção:Fernando Solanas


Perfil do diretor:
Fernando Solanas nasceu em Olivos, Buenos Aires, em 1936. estudou teatro, música e direito antes de se dedicar ao cinema. Suas obras estão diretamente ligadas ao seu compromisso e militância política. É constantemente solicitado para ser júri de festivais cinematográficos. Professor emérito da universidade de Los Angeles (UCLA) e Universidade Nacional de San Martín (UNSAM). Publica periodicamente artigos sobre cinema, política e cultura e veículos da América-latina e Europa.

Festival de Gramado- Quase um Tango

Por: João Daniel Donadeli

A vida é como a casca de um ovo, uma hora quebra e derrama tudo.(personagem do filme)

Quem sabe que caminhos tomará nossas vidas, então estejamos de braços abertos para recebê-la, é o que sugere Sérgio Silva em seu novo longa metragem.
Acostumado aos filmes épicos como “Anahy de las missiones”(1997) que tem como tema a revolução farropilha o diretor dessa vez faz um filme com temática contemporânea.
Inspirado na Novelle vague Quase um tango revela um pouco da cultura rural riograndense e busca mostrar nossos medos e anseios diante do acaso.
O filme abre com um longo plano fixo de um lago com um pequeno barco a deriva, sugerindo nossa falta de controle sobre as possibilidades de nossas vidas.
Logo após somos apresentados ao camponês de vida simples e solitário com sua cuia de chimarrão e a companhia do Baio(cavalo).
Esse camponês é Batavo ( Marcos Palmeiras) um homem, que vive uma vida simples e solitária num sitio afastado da cidade esperando que a vida seja generosa com ele.
Com o passar dos dias procura uma família próxima para pedir a mão da “Prenda da casa” em casamento esperando que essa seja a solução para suas noites de angustia, mas uma desilusão após o casamento muda de vez a sua vida e sozinho migra para a cidade grande em busca de uma nova razão para viver.
Morando na cidade grande, mas sem perder os hábitos e simplicidade do campo, Batavo conhece Letícia (Vivianne Pasmanter) uma jovem inteligente e descontraída que conquista o coração do ex-camponês.
Após algum tempo vivendo na cidade casa-se com Letícia e vive uma vida maravilhosa trabalhando em seu armazém e paparicando a mulher que espera um bebê.
Tal como a vida que nos oferta as coisas mais impensáveis possível, o acaso reservava para Batavo muitas surpresas e pedia que ele as recebesse de braços abertos ao som de um tango.

Ficha técnica:
Quase um tango: Porto Alegre-RS, 2009 – 103 min HD – Ficção
Diretor:Sérgio Silva
Roteiro: Sérgio Silva
Elenco: Marcos Palmeiras, Vivianne Pasmanter

Palavras do diretor antes da estréia.
Quando questionado sobre o que o público poderia esperar de seu trabalho: "eu não tenho o que apresentar. É um filme sobre a simplicidade e os medos da vida. A gente tem medo de muita coisa. Do filho que pode nascer, da Influenza A e do Sarney".
Perfil do diretor:
Sérgio Silva, foi professor da Universidade federal do Rio Grande do Sul, no departamento de artes dramáticas e comunicação social. Foi membro do conselho estadual de cultura e crítico de cinema, além de ator, diretor teatral e cineasta. Dirigiu seu primeiro filme de curta metragem em 1969, realizando até o momento 19 filmes.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

DOCTV IV - Morro do céu


Por: João Daniel Donadeli


No alto de uma montanha da Serra Gaúcha, demora-se o vilarejo Morro do Céu, uma comunidade de descendentes de italianos que foi palco para o documentário homônimo.

Morro do Céu, dirigido por Gustavo Spolidoro (de Ainda Orangotangos), contempla o universo jovem, com suas vivências, conflitos e descobertas.

Parte da proposta de observação direta do cotidiano do jovem Bruno Storti, personagem que conduz a narrativa, sem recorrer a entrevistas “posadas”, aproximando-se do que se denomina cinema direto, mas com uma particularidade ímpar.

A proximidade com Bruno resulta na revelação das inseguranças do rapaz, como o primeiro amor e o sufoco para fechar as notas do colégio no final do ano, e também na celebração da amizade e da camaradagem do rapaz e seus amigos.

O documentário se assemelha, assim, ao filme Conta Comigo, dirigido por Rob Reiner em 1986, em que um grupo de amigos de pequeno vilarejo vive os dias de verão buscando aventura nos trilhos do trem, se autodescobrindo e antecipando uma nova fase de suas vidas.

Para o espectador, o jovem Bruno serve como condicionante para o mergulho em nossas próprias experiências, em nossas memórias de adolescência, numa nostalgia encantadora. Revivemos, com Bruno, essa fase mágica e efêmera de nossas vidas, sonhando com que o boletim fosse outra vez o maior problema de nosso mundo.

A vida de um adolescente num vilarejo rural, com uma repressão social própria, em que todos são observados por todos, se descortina não só na timidez aparente, mas também na ingenuidade do jovem em sua autodescoberta e na intenção de desbravar novos caminhos, de países longínquos, como o próprio Bruno revela numa conversa com os pais.

A maneira encontrada para levar ao cinema essa proposta experimental, descompromissada com rótulos de gênero, é reveladora de uma realidade que só se obtém pela cumplicidade de todos.

Gustavo Spolidoro, o diretor, trabalhou sozinho, captando aquilo que decorria diante das lentes, numa ousadia que talvez não funcionasse com uma equipe. A opção pela intimidade inclusive técnica, sem a parafernália tipicamente cinematográfica, de tripés, refletores, gruas, trilhos etc., colocou todos em posição de igualdade.

Por isso a câmera “sumiu” e a realidade despontou.

Morro do Céu (Brasil, 52 min.)
Autor e diretor: Gustavo Spolidoro